Mostrar resumo Ocultar resumo
A ministra da Justiça rejeitou leituras pessoais sobre a decisão de abrir uma auditoria à Polícia Judiciária e defendeu que o objetivo é preservar a credibilidade da instituição. A reação surge depois do pedido do atual diretor nacional, Carlos Cabreiro, e no contexto de alegações que envolvem o ministro da Administração Interna e ex-diretor da PJ, Luís Neves.
Ministra sublinha caráter institucional da averiguação
Brisa leva ao tribunal pedido de dois anos de prorrogação da concessão por perdas da pandemia
Como agir quando o filho se recusa a regressar à escola?
Rita Alarcão Júdice disse aos jornalistas, nesta segunda‑feira, 10 de agosto, que não se trata de um conflito entre ministros ou de uma investigação de natureza pessoal. Segundo a ministra, a iniciativa corresponde a uma **averiguação administrativa** destinada a esclarecer questões divulgadas pela comunicação social.
“A minha preocupação é assegurar a credibilidade da instituição”, afirmou Júdice, enfatizando que não há qualquer desconforto institucional com a medida tomada.
O que vai ser analisado
A direção do ministério confirmou, na quinta‑feira, 6 de agosto, a abertura de uma avaliação interna e a realização de uma auditoria com a Direção‑Geral dos Serviços de Justiça. O foco será em **contratos e obras públicas** celebrados entre 1 de janeiro de 2018 e 31 de julho de 2026.

O período abrangido inclui o fim do mandato do anterior diretor da PJ, Almeida Rodrigues, e os primeiros meses da direção de Carlos Cabreiro.
Diálogo entre ministério e direção da PJ
Júdice disse que a auditoria foi aprovada após conversas com o atual diretor nacional. “Conversámos, eu acolhi as suas preocupações”, resumiu a ministra, descrevendo o procedimento como parte do funcionamento normal entre instituições.
Para Júdice, é essencial que a **confiança dos portugueses** na Polícia Judiciária se mantenha inatacável, sobretudo quando a instituição tem sido alvo de reportagens persistentes.
Posição do diretor nacional, Carlos Cabreiro
Ao lado da ministra, Carlos Cabreiro falou publicamente pela primeira vez desde que as alegações vieram a público. Não fixou prazos para a conclusão das averiguações.

Cabreiro descreveu a auditoria como uma análise de procedimentos de contratação na PJ, não como uma avaliação de pessoas, e garantiu que os trabalhos serão conduzidos “com serenidade” e recorrendo aos mecanismos legais existentes. Pediu calma tanto dentro da instituição como externamente.
O diretor também realçou operações recentes da PJ e defendeu que, apesar da envolvência mediática, a polícia tem continuado a cumprir a sua missão em conformidade com a lei.
Acusações que motivaram o escrutínio
A investigação administrativa ganhou relevo depois de ter sido divulgado que, enquanto diretor nacional, Luís Neves terá autorizado que um atrelado apreendido num processo de tráfico de droga ficasse sob a guarda de um empreiteiro de Barcelos, seu conhecido.
Esse empreiteiro é apontado como tendo executado várias obras para a Polícia Judiciária, obtidas em concursos públicos, e trabalhos numa propriedade de Neves em Odemira, no Alentejo, sem o devido licenciamento. Essas informações são o núcleo do escrutínio agora em curso.
As averiguações internas e a auditoria pretendem esclarecer estes factos e determinar eventuais responsabilidades administrativas, mantendo‑se o compromisso público com a transparência no processo.












