Miranda Sarmento alerta para mais instabilidade e incerteza devido às ameaças de tarifas de Trump

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A mais recente ameaça de Washington de impor novas tarifas à União Europeia voltou a elevar a incerteza sobre o comércio internacional. Em Dublin, onde decorre uma reunião informal de ministros das Finanças da zona euro e da UE, o governante português advertiu para os riscos económicos e defendeu medidas para reforçar a banca e regular a tecnologia.

Trump e a reação europeia

As declarações do Presidente norte‑americano, Donald Trump, sobre a possibilidade de aplicar “tarifas muito pesadas” à Europa ou mesmo restringir o comércio surgiram após a proposta da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, de aprofundar a cooperação com o Canadá, incluindo o estatuto de membro associado.

Jornal com manchetes sobre tarifas e comércio internacional
Declarações de Trump sobre tarifas reavivaram a incerteza no comércio.

O ministro das Finanças de Portugal, Joaquim Miranda Sarmento, disse à agência Lusa que essas ameaças acrescentam um elemento de “volatilidade e incerteza” ao ambiente comercial. “Nunca sabemos [se as ameaças se vão concretizar] porque a volatilidade e a incerteza nesse aspeto é sempre muito grande”, afirmou.

Consequências para economias e consumidores

Miranda Sarmento sublinhou que medidas tarifárias tendem a prejudicar tanto as economias como os consumidores, numa fase em que os preços e cadeias de fornecimento ainda são sensíveis. “As tarifas prejudicam as economias, prejudicam os consumidores, sobretudo nos terrenos mais baixos”, disse o ministro.

Ao mesmo tempo, o governante saudou a intensificação das relações comerciais entre Bruxelas e Otava, considerando que a aproximação entre blocos pode ser benéfica não só para a UE e o Canadá, mas também para os Estados Unidos. “O comércio internacional, quando é justo e quando é equilibrado, gera ganhos para todos”, acrescentou.

Debate sobre a competitividade do setor bancário

No encontro em Dublin, os ministros vão dedicar um almoço de trabalho à competitividade do setor bancário europeu, depois de um relatório da Comissão alertar para a fragmentação do mercado.

Ministros e delegados à volta de uma mesa em reunião sobre banca
Ministros discutem competitividade bancária numa reunião informal em Dublin.

A comissária europeia Maria Luís Albuquerque anunciou que Bruxelas pretende apresentar, no primeiro trimestre de 2027, um pacote legislativo para reforçar a competitividade da banca e aprofundar a integração do mercado. Portugal apoia esse rumo.

Miranda Sarmento defendeu o avanço da União Bancária, incluindo a criação de um sistema europeu de garantia de depósitos. Também pediu uma simplificação da regulação bancária na UE para permitir que os bancos ganhem escala frente a concorrentes globais, lembrando que muitas das regras foram desenhadas após a crise de 2008.

Inteligência artificial na agenda

No segundo e último dia da reunião informal será discutido o impacto da inteligência artificial nas economias e sociedades europeias.

O ministro português explicou que a IA já faz parte das reformas dos serviços públicos em Portugal, com ganhos de rapidez, qualidade e produtividade. Ainda assim, reforçou a necessidade de combinar um “agenda ambiciosa de IA e de desenvolvimento tecnológico” com mecanismos de proteção e salvaguardas para mitigar riscos.

Com as tensões transatlânticas a pairar sobre o comércio e com a Europa a debater reformas financeiras e tecnológicas, os próximos passos das negociações terão impacto direto na confiança dos mercados e nos consumidores. A reunião em Dublin tenta responder a esses desafios num momento de elevada incerteza global.

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