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Num plenário marcado pela tensão, o debate de urgência sobre o custo de vida, convocado pelo PS na sexta‑feira, 18 de setembro, transformou‑se numa sucessão de ataques entre bancadas. Além das críticas políticas habituais, a sessão teve mais um confronto entre André Ventura e o presidente da Assembleia, José Pedro Aguiar‑Branco.
Embate entre PSD e PS
Hugo Soares, líder parlamentar do PSD, dirigiu duras acusações ao secretário‑geral do PS durante a intervenção no hemiciclo. Para Soares, a resposta económica proposta pelo PS está orientada “a pensar nas sondagens” e no voto, e não nas gerações futuras.
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“A sua política económica é um erro, a sua política económica é assistencialista, a sua política económica é a pensar nas sondagens, a sua política económica é a pensar nos votos”, afirmou o deputado social‑democrata, contrapondo que o PSD coloca o foco “no país e nas novas gerações”.
Soares sustentou também que as opções defendidas por José Luís Carneiro divergem da prática seguida por figuras socialistas como Fernando Medina e Mário Centeno, cujas propostas estariam “nas suas antípodas”.
Acusações de hipocrisia sobre o IVA dos combustíveis
O líder do Chega, André Ventura, voltou a confrontar o secretário‑geral do PS, acusando‑o de “hipocrisia e falsidade” depois de José Luís Carneiro ter defendido publicamente a redução do IVA dos combustíveis e, segundo Ventura, ter anunciado que votaria contra o projeto do Chega que prevê essa diminuição.

Ventura disse ainda que “não há nenhuma norma‑travão que trave José Luís Carneiro, o que trava José Luís Carneiro é um acordo hediondo com o PSD” e acusou os socialistas de tentarem enganar eleitores, apelidando‑os de “fantoche de Bruxelas”.
Em resposta, José Luís Carneiro afirmou que, nos últimos meses, o Chega funcionou como “um biombo que impediu o escrutínio da ação do Governo na gestão da crise” e defendeu a precisão das suas declarações. O secretário‑geral aconselhou ainda a leitura da Constituição, citando o artigo relativo à norma‑travão.
Carneiro criticou também a proposta do Chega por adiar para janeiro de 2027 a entrada em vigor da redução do IVA dos combustíveis, dizendo que isso empurraria a ajuda aos portugueses para uma data distante.
Outras reações no hemiciclo
A líder da Iniciativa Liberal, Mariana Leitão, questionou a eficácia da recente baixa do IRS anunciada pelo primeiro‑ministro. “Um alívio de cinco euros por mês para quem ganha 1.500 não vai resolver os problemas”, afirmou, acusando o líder do PSD, Luís Montenegro, de distribuir recursos sem critério nem visão.
Mariana Leitão acusou ainda o PS de tentar “enganar os portugueses” e considerou que a “escola da mediocridade do PS está viva”, com a classe média a continuar a sofrer.
O CDS‑PP advertiu que a resposta ao aumento do custo de vida deve ser “séria e responsável” e não servir de pretexto para uma competição entre os principais partidos da oposição em torno de propostas demagógicas.
No espectro à esquerda, os pedidos ao Governo foram por medidas mais ambiciosas. O Livre perguntou se eventuais receitas adicionais geradas pela crise serão usadas para proteger quem perde poder de compra. O PCP defendeu medidas como a fixação de preços de bens essenciais ou a rejeição do aumento das taxas de juro. BE e JPP pediram a implementação do IVA zero sobre o cabaz alimentar.
Confronto com o presidente da Assembleia
A sessão foi interrompida por mais um incidente entre André Ventura e o presidente da Assembleia, José Pedro Aguiar‑Branco. Ventura pediu a palavra para fazer uma defesa da honra da bancada, pedido que foi recusado com base no regimento, que atribui essa possibilidade apenas às direções dos grupos parlamentares.
Aguiar‑Branco relembrou as regras regimentais e parafraseou Ventura: “isto não é uma bandalheira, tem regras”. O presidente avisou que, ao longo desta sessão legislativa, será “muito restritivo” no recurso a figuras regimentais, para garantir que o debate decorre dentro das normas.
Ventura ameaçou abandonar o plenário, mas acabou por permanecer; a defesa da bancada foi feita pelo líder parlamentar do Chega, Pedro Pinto.












