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A Alemanha lançou críticas diretas a António Costa pela forma como tem conduzido as negociações do orçamento plurianual da União Europeia, num momento em que os Estados-membros ainda tentam fechar prioridades e fontes de financiamento. A disputa acentua a pressão política antes da apresentação do chamado negobox, prevista para o início de outubro.
Berlim reage com duras palavras
Na véspera de uma reunião ministerial em Bruxelas, o chefe da pasta alemã para assuntos europeus, Gunther Krichbaum, qualificou como “pouco útil” uma entrevista recente do ex-primeiro‑ministro português ao POLITICO. Krichbaum afirmou que é legítimo questionar se Costa permanece ligado à realidade das finanças públicas.
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O ministro sublinhou que os orçamentos nacionais enfrentam hoje uma «enorme pressão» e lembrou que existem limites práticos ao aumento de despesas. As críticas refletem uma fricção cada vez maior entre países do centro e do Norte da Europa.
O argumento de Costa a favor de novos recursos
Na entrevista concedida em Dublin, no fim de uma ronda por capitais europeias dedicada às negociações orçamentais, António Costa defendeu a criação de novos impostos ao nível da UE — os chamados recursos próprios. Segundo ele, essa via é necessária para evitar cortes significativos no orçamento comunitário e para conter o aumento das contribuições nacionais.

Ruptura com os aliados do Norte
O discurso de Costa não convence todos. A Alemanha e parceiros do Norte europeu, que são contribuintes líquidos do orçamento comunitário, querem reduzir o envelope global. Esses Estados citam a necessidade de cortes na ordem das centenas de milhares de milhões de euros.
Para estes governos, a introdução de impostos europeus não pode ser vista automaticamente como uma alternativa aos cortes. A posição acentua um dilema central das negociações: aumentar receitas próprias ou reduzir o montante total disponível.
Calendário e próxima fase das negociações
Os governos estão a pressionar a Presidência irlandesa do Conselho da UE para que as suas linhas constem no documento de negociação que será apresentado nas próximas semanas. O chamado negobox deve orientar as discussões formais a partir do início de outubro.
Depois do Conselho Europeu de outubro, quando os líderes reagirem à proposta proposta pela Irlanda, António Costa deverá assumir a condução das negociações intergovernamentais. A agenda traz ainda outra preocupação: o presidente do Conselho Europeu avisou que cortes à proposta da Comissão, considerada próxima dos dois biliões de euros, poderão provocar rejeição por parte de vários governos.
No último mês, o presidente do Conselho visitou 25 capitais para mapear posições sobre os pontos mais sensíveis do próximo quadro financeiro plurianual, um esforço que mostra a complexidade da convergência entre Estados-membros.











