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O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse na terça‑feira que 19 dos 20 membros do G20 concordaram em combater fluxos de exportações baratas que geram desequilíbrios globais — posição rejeitada pela China. A declaração ocorreu no encerramento de uma reunião de dois dias de ministros das Finanças e governadores de bancos centrais centrada no crescimento económico.
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Bessent afirmou que a maior parte do grupo apoiou esforços para reduzir os desequilíbrios comerciais causados por exportações a preços muito baixos. Segundo o secretário, a proposta recebeu o apoio de 19 países; a única discordância veio da República Popular da China.

“Acreditamos que não é sustentável que economias que não funcionam segundo as regras de mercado coloquem no exterior um fluxo interminável de exportações baratas”, disse Bessent aos jornalistas, e acrescentou que essa posição foi partilhada por todos os membros do G20, exceto um.
Apelo a tarifas e preocupações sobre deslocação de comércio
O responsável norte‑americano encorajou outros países a seguir o exemplo da administração do Presidente Donald Trump, que tem recorrido a tarifas e outras medidas para enfrentar o que descreve como desequilíbrios comerciais. A administração Trump, e vários economistas, responsabilizam a China pelos excessos, apontando para o elevado excedente comercial chinês em contraste com o défice dos Estados Unidos.
Bessent recordou que, no início do segundo mandato de Trump, avisou que uma nova “muralha tarifária” americana poderia levar produtos chineses a serem desviados para outros mercados. “E, infelizmente, eu tinha razão”, afirmou, acrescentando que o resto do mundo precisa avaliar como proteger empregos e a sua base industrial para evitar deslocalizações.
Após a conferência, o Presidente Trump publicou na sua rede social que durante as reuniões do G20 ocorreram “conversações muito produtivas e positivas” e declarou que “outros países deveriam seguir o nosso exemplo”.
Impacto das tarifas nos preços
Críticos das políticas tarifárias da administração Trump apontam que elas aumentam os custos para consumidores norte‑americanos e, por vezes, prejudicam aliados. A organização independente Tax Foundation estimou que as tarifas impostas ao longo de 2025 elevaram em cerca de 7% os preços de venda a retalho de bens de consumo importados, comparando com a tendência anterior à aplicação das taxas.

Inteligência artificial na agenda entre Trump e Xi
Bessent revelou que, no encontro marcado entre Trump e o Presidente chinês Xi Jinping, a regulação da inteligência artificial (IA) estará na ordem do dia. Defendeu a necessidade de mais salvaguardas para impedir que “atores não estatais” desenvolvam os seus próprios modelos.
Ao falar com líderes do setor, o secretário do Tesouro criticou a forma como as empresas de IA comunicaram com o público: considerou que laboratórios e construtoras de centros de dados fizeram um “trabalho horrível” a explicar a tecnologia aos norte‑americanos. “Vão ter de assumir parte da responsabilidade e convencer o povo norte‑americano de que todos os benefícios não vão ficar concentrados num pequeno grupo”, afirmou.
Dívida global e sinais nos mercados
Bessent citou também números preocupantes sobre o endividamento: a dívida mundial atingiu um máximo histórico de 353 biliões de dólares (cerca de 304 biliões de euros), enquanto a dívida dos Estados Unidos chegou a um recorde de 40 biliões de dólares (aproximadamente 34,5 biliões de euros) em agosto.
Apesar dos receios sobre uma possível venda em massa de obrigações do Tesouro norte‑americano, o secretário declarou que não vê os mercados obrigacionistas confrontados com “qualquer tipo de situação grave”.












