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Joachim Nagel, presidente do Bundesbank e membro do conselho de governadores do BCE, disse acreditar que os mercados já antecipam a resposta do Banco Central Europeu à inflação. Em entrevista ao Le Monde publicada esta quarta‑feira, afirmou que a probabilidade de uma subida de juros em setembro está praticamente precificada.
Mercados praticamente precificaram o aumento
Nagel transmitiu confiança aos investidores ao afirmar que as expectativas apontam para um aperto na reunião de setembro. Segundo o responsável alemão, os operadores atribuem hoje uma probabilidade superior a 95% a um aumento das taxas.

Apesar dessa avaliação, ele recusou‑se a traçar cenários a longo prazo. “Há muita incerteza. A situação é desconfortável”, disse, acrescentando que prefere uma abordagem reunião a reunião.
Por que a pressão sobre os juros aumentou
O BCE já elevou as taxas em junho — o primeiro aumento desde 2023 — quando subiu os juros em 25 pontos-base, colocando a taxa sobre depósitos em 2,25%. O mercado espera que, em 10 de setembro, essa movimentação seja repetida com outro acréscimo de 25 pontos-base.

A motivação para as decisões é a trajetória dos preços. A estimativa rápida do Eurostat apontou que a inflação homóloga na Zona Euro acelerou para 3,3% em agosto, quatro décimas acima de julho e o valor mais alto desde o início da guerra no Irão. Esse ritmo afasta o índice da meta de 2% perseguida pelo BCE.
Perspetivas e posicionamento dos decisores
Os mercados também estão a incorporar a possibilidade de novos aumentos além de setembro. As expectativas dão mais de 50% de probabilidade a outra subida até ao final de 2026, o que levaria a taxa de referência para cerca de 2,75%.
Entre os membros do BCE há sinais convergentes. Isabel Schnabel, da comissão executiva, afirmou à Bloomberg na semana passada que, ao nível atual dos juros, é pouco provável que a inflação regresse ao objetivo a médio prazo. Por isso, disse, será necessário um maior aperto da política monetária.
O que isto significa para os cidadãos
Para empresas e consumidores, a expectativa de juros mais altos implica custos de empréstimos potencialmente maiores e um quadro de financiamento mais apertado. A decisão de setembro deverá esclarecer a trajetória de curto prazo da política monetária na Zona Euro.












