Gana no grupo L: Queiroz recorre a Mandela e Semenyo para tentar o milagre em 70 dias

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A 72 dias do pontapé de saída do Mundial, o Gana entra na competição com novo treinador e dúvidas por resolver. A chegada de Carlos Queiroz procura dar resposta a um percurso recente marcado por resultados desilusórios e pela necessidade de reafirmar os Black Stars entre as potências africanas.

Porque mudou a seleção

Depois de derrotas consecutivas frente a equipas asiáticas e europeias e de um início de época internacional pouco convincente, a Federação ganesa optou por uma mudança técnica. Numa nota oficial declarou: “Após uma cuidadosa consideração, decidimos que é melhor para a seleção procurar um novo treinador que possa levar a equipa a novos patamares”. Otto Addo deixou assim o comando, abrindo caminho para uma solução de última hora.

Queiroz assume com objetivos claros

O recrutamento de Carlos Queiroz surge como uma aposta de experiência. O técnico português foi oficialmente apresentado em abril de 2026 e vai disputar o seu quinto Campeonato do Mundo — um registo que o iguala a Bora Milutinovic — mas estabelece esta etapa como um ponto de passagem, não de chegada.

Carlos Queiroz numa conferência de apresentação vazia, gesticulando
Queiroz foi apresentado em abril de 2026 e promete experiência e disciplina.

Na conferência de apresentação, Queiroz sublinhou a sua filosofia: “Mandela disse-me um dia ‘Carlos, nunca perdemos: ou ganhamos ou aprendemos’.” O treinador acrescentou que não teme o desafio e que confia numa evolução através do trabalho e da crença coletiva.

O perfil da equipa e as ambições

Os Black Stars regressam ao palco global com a ambição de recuperar a consistência que os colocou entre os melhores de África na década anterior. A meta assumida é clara: passar da fase de grupos e tentar chegar aos oitavos-de-final.

Para isso, Queiroz deverá apostar numa estrutura organizada e num compromisso tático elevado. A equipa conta com jogadores experientes para equilibrar dinamismo e disciplina defensiva, num grupo onde figuram potências europeias como Inglaterra e Croácia.

O destaque ofensivo: Antoine Semenyo

Antoine Semenyo surge como a principal referência para a frente de ataque. Apontado no documento de convocatória como médio ofensivo, Semenyo terminou a temporada 2024/25 com números relevantes: depois de uma transferência de inverno do Bournemouth para o Manchester City — após 13 golos e seis assistências nessa época — fechou a época com um total de 21 golos e seis assistências entre os dois clubes.

Avançado a treinar remates numa sessão, foco na técnica ofensiva
Antoine Semenyo como referência ofensiva nos treinos do Gana.

Com capacidade para chegar entre linhas e contribuir em zona ofensiva, o jogador pode ser uma das peças-chave do plano de jogo ganês quando a bola chegar às zonas mais decisivas do terreno.

Convocatória, opções e estágio

A lista final de 26 jogadores apresenta um equilíbrio entre experiência e juventude, com nomes que atuam em ligas europeias variadas e alguns emergentes vindos do futebol inglês e francês. O estágio de preparação decorre em Providence, Rhode Island, com treinos realizados na Bryant University.

Guarda‑redes (3)

  • Benjamin Asare (Hearts of Oak, Gana)
  • Lawrence Ati‑Zigi (St. Gallen, Suíça)
  • Joseph Anang (St. Patrick’s, Rep. Irlanda)

Defesas (9)

  • Baba Abdul Rahman (PAOK, Grécia)
  • Gideon Mensah (Auxerre, França)
  • Marvin Senaya (Auxerre, França)
  • Alidu Seidu (Rennes, França)
  • Abdul Mumin (Rayo Vallecano, Espanha)
  • Jerome Opoku (Basaksehir, Turquia)
  • Jonas Adjetey (Wolfsburgo, Alemanha)
  • Kojo Oppong Peprah (Nice, França)
  • Derrick Luckassen (Pafos, Chipre)

Médios (6)

  • Elisha Owusu (Auxerre, França)
  • Thomas Partey (Villarreal, Espanha)
  • Kwasi Sibo (Oviedo, Espanha)
  • Augustine Boakye (St. Etienne, França)
  • Caleb Yirenkyi (Nordsjaelland, Noruega)
  • Fatawu (Leicester, Inglaterra)

Avançados (8)

  • Christopher Bonsu Baah (Al‑Qadsiah, Arábia Saudita)
  • Ernest Nuamah (Lyon, França)
  • Antoine Semenyo (Manchester City, Inglaterra)
  • Brandon Thomas‑Asante (Coventry, Inglaterra)
  • Ibrahim Sulemana (Atalanta, Itália)
  • Prince Kwabena Adu (Viktoria Plzen, Rep. Checa)
  • Iñaki Williams (Ath. Bilbao, Espanha)
  • Jordan Ayew (Leicester, Inglaterra)

Formação provável e rotações

Uma das opções apresentadas combina um esquema em 4‑3‑3 com jogadores capazes de dar amplitude e liga no meio-campo. A proposta indicada inclui Benjamin Asare na baliza; Alidu Seidu, Jerome Opoku, Alexander Djiku e Gideon Mensah na defesa; Thomas Partey, Kwasi Sibo e Ibrahim Sulemana no meio; e um trio ofensivo com Fatawu, Antoine Semenyo e Jordan Ayew.

Resultados recentes

O registo desde junho de 2025 mostra dificuldades em amigáveis contra seleções de diferentes continentes, mas também jogos de qualificação com resultados positivos que asseguraram a presença no Mundial.

  • Jogo particular, 2/6: País de Gales (fora), 1-1 (E)
  • Jogo particular, 23/5: México (fora), 0-2 (D)
  • Jogo particular, 30/3: Alemanha (fora), 1-2 (D)
  • Jogo particular, 27/3: Áustria (fora), 1-5 (D)
  • Jogo particular, 18/11: Coreia do Sul (fora), 0-1 (D)
  • Jogo particular, 14/11: Japão (fora), 0-2 (D)
  • Qualificação CAF, 12/10: Comores (casa), 1-0 (V)
  • Qualificação CAF, 8/10: República Centro Africana (fora), 5-0 (V)
  • Qualificação CAF, 8/9: Mali (casa), 1-0 (V)
  • Qualificação CAF, 4/9: Chade (fora), 1-1 (E)

Dados essenciais

  • Ranking FIFA: 74.º (a 1 de abril de 2026)
  • Melhor ranking: 14.º (abril‑maio de 2007 e fevereiro de 2008)
  • Patrocinador: Puma (desde 2005)
  • Alcunha: Black Stars
  • Presenças em fases finais: 4 (última em 2022)
  • Melhor resultado: quartos‑de‑final em 2010
  • Qualificação: 1.º lugar do grupo I da CAF (25 pontos em 10 jogos)
  • Objetivo realista: passar à fase a eliminar e lutar por um lugar nos oitavos

Treinador, craques e referência histórica

Carlos Queiroz (73 anos) assumiu o cargo em abril de 2026. O currículo inclui passagens por seleções e clubes como as camadas jovens de Portugal, a própria seleção portuguesa, Sporting, Manchester United (adjunto), Real Madrid, Irão, Colômbia, Egito, Qatar e Omã, entre outros. Conquistou vários títulos em carreiras de formação e torneios internacionais de jovens.

Do lado dos jogadores, além de Semenyo, o extremo Fatawu é apontado como uma possível revelação, enquanto André Ayew mantém o recorde de internacionalizações (120) e Asamoah Gyan continua como o maior goleador histórico (51 golos).

Ligação a Portugal

O vínculo com Portugal surge de duas frentes: a contratação de um treinador com historial no país e um jogador com passado nos escalões portugueses. Fatawu, antigo jogador do Sporting, segue agora no Leicester e representa essa conexão entre os dois países.

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