Mundial de 1966: lágrimas de Eusébio, o cão que achou o troféu e o regresso do futebol a casa

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O Mundial de 1966 ficou marcado por páginas que cruzaram história, surpresa e emoção: a Inglaterra conquistou o único título mundial do seu palmarés, Eusébio assinou uma campanha goleadora inesquecível, e fora de campo um cão chamado Pickles acabou por recuperar a Taça Jules Rimet. Décadas depois, aquele torneio continua a ser lembrado por golos, reviravoltas e polémicas que alimentam conversas até hoje.

Fase de grupos e primeiras impressões

A competição abriu a 11 de julho com um empate sem golos entre Inglaterra e Uruguai em Wembley, e a fase de grupos decorreu até 20 de julho, apurando oito equipas para os quartos de final. A Alemanha Ocidental e a Argentina dominaram os seus grupos, com um jovem nome a começar a sobressair: Franz Beckenbauer.

Portugal venceu os três encontros da fase inicial, destacando-se o triunfo por 3-1 sobre o Brasil bicampeão. A seleção brasileira vinha de uma preparação confusa, com uma lista extensa de convocados, e teve ainda a polémica em torno do estado físico de Pelé após um jogo intenso frente à Bulgária — segundo a Federação Brasileira de Futebol, essas entradas terão condicionado o seu rendimento no seguimento do torneio.

Uma surpresa que marcou aquela fase foi a Coreia do Norte: eliminou a Itália por 1-0 e tornou-se a primeira equipa fora da Europa e da América do Sul a alcançar os quartos de final.

Quartos de final: Goodison Park e a reviravolta histórica

Os quartos disputaram-se a 23 de julho. A Alemanha Ocidental goleou o Uruguai por 4-0, num jogo também marcado por duas expulsões da equipa uruguaia.

Jogadores e adeptos celebram reviravolta num estádio antigo
A reviravolta histórica de Portugal frente à Coreia do Norte em Goodison Park.

Mas a partida que entrou para a memória coletiva foi Portugal-Coreia do Norte, em Goodison Park. Os asiáticos adiantaram-se por 3-0 ainda na primeira parte e deixaram cerca de 40 mil espectadores em choque. Na segunda parte, Eusébio assumiu-se como figura decisiva: marcou quatro golos nesse jogo e liderou a reviravolta que terminou em 5-3 a favor de Portugal.

Nas meias-finais, Inglaterra eliminou Portugal por 2-1, enquanto a Alemanha Ocidental venceu a União Soviética por 2-1. Portugal garantiu depois o terceiro lugar ao bater os soviéticos, alcançando assim o melhor resultado da sua história em Mundiais.

A final, Geoff Hurst e o “golo fantasma”

Mais de 96 mil espectadores encheram Wembley a 30 de julho para a final entre Inglaterra e Alemanha Ocidental — um jogo que se tornaria um dos mais debatidos da história do torneio. Os ingleses venceram por 4-2 após prolongamento e Geoff Hurst assinou um hat-trick.

Multidão num estádio antigo durante uma final em Wembley
Mais de 96 mil espectadores assistiram à final entre Inglaterra e Alemanha Ocidental.

O episódio mais discutido foi o célebre “golo fantasma”, cujo lance foi alvo de dúvidas durante décadas; análises e tecnologia posteriores chegaram a sugerir que a bola poderá não ter ultrapassado por completo a linha de golo. Ainda assim, esse golo manteve-se e contribuiu para o único título mundial da Inglaterra.

Eusébio: goleador e imagem do torneio

Eusébio terminou a prova com nove golos em seis jogos, números que o elevaram a artilheiro do torneio e sustentaram o seu lugar de destaque na história do futebol português. Quatro desses golos foram apontados no encontro com a Coreia do Norte.

A imagem do avançado em lágrimas após a eliminação frente à Inglaterra ficou entre as mais perduráveis daquela edição, simbolizando o peso emocional e o legado da sua prestação no Mundial de 1966.

Pickles e a Taça Jules Rimet

Antes do arranque do torneio houve outro episódio que correu as páginas dos jornais: a Taça Jules Rimet foi roubada de uma vitrina no Central Hall de Westminster. A taça acabou por ser recuperada graças a um cão, o Pickles, que a encontrou enrolada em jornal num arbusto em Londres. O episódio passou a integrar a mitologia do Mundial.

Resultados principais

  • 11 de julho (fase de grupos): Inglaterra-Uruguai, 0-0
  • 12 de julho: Alemanha Ocidental-Suíça, 5-0; Brasil-Bulgária, 2-0; União Soviética-Coreia do Norte, 3-0
  • 13 de julho: França-México, 1-1; Argentina-Espanha, 2-1; Portugal-Hungria, 3-1; Itália-Chile, 2-0
  • 15 de julho: Uruguai-França, 2-1; Espanha-Suíça, 2-1; Hungria-Brasil, 3-1; Chile-Coreia do Norte, 1-1
  • 16 de julho: Inglaterra-México, 2-0; Alemanha Ocidental-Argentina, 0-0; Portugal-Bulgária, 3-0; União Soviética-Itália, 1-0
  • 19 de julho: México-Uruguai, 0-0; Argentina-Suíça, 2-0; Portugal-Brasil, 3-1; Coreia do Norte-Itália, 1-0
  • 20 de julho: Inglaterra-França, 2-0; Alemanha Ocidental-Espanha, 2-1; Hungria-Bulgária, 3-1; União Soviética-Chile, 2-1
  • 23 de julho (quartos): Inglaterra-Argentina, 1-0; Alemanha Ocidental-Uruguai, 4-0; União Soviética-Hungria, 2-1; Portugal-Coreia do Norte, 5-3
  • 25 de julho: Alemanha Ocidental-União Soviética, 2-1 (meias)
  • 26 de julho: Inglaterra-Portugal, 2-1 (meias)
  • 28 de julho: Portugal-União Soviética, 2-1 (3.º/4.º lugar)
  • 30 de julho: Inglaterra-Alemanha Ocidental, 4-2 (final, após prolongamento)

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