Mostrar resumo Ocultar resumo
A Suécia foi anfitriã do Mundial de 1958, a única edição realizada num país nórdico, e assistiu ao primeiro título mundial do Brasil. O torneio ficou marcado pela aparição de um jovem Pelé, pela mudança de cor do equipamento brasileiro na final e pelo recorde goleador de Just Fontaine, que permanece intacto.
Inovações e contexto do Mundial
O Campeonato do Mundo de 1958 introduziu mudanças na organização da fase de grupos: os empates não tinham prolongamento e a ordenação das equipas passou a contemplar a diferença de golos para definir primeiro e segundo lugares. Quando havia igualdade entre segundo e terceiro, recorreu-se a um playoff.
Maracanazo de 1950: como a festa do Brasil virou derrota e pôs fim ao equipamento branco
Quem é Susana Paula?
Foi também a estreia da União Soviética em fases finais. Outro dado curioso é que, nessa edição, as quatro seleções do Reino Unido — Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte — estiveram presentes simultaneamente.
A Inglaterra não conseguiu ultrapassar a fase de grupos. Naquele ano, o futebol inglês ainda lidava com as consequências do desastre aéreo de Munique, que vitimou parte do plantel do Manchester United.
Pelé: o talento que virou ícone
Com apenas 17 anos, Edson Arantes do Nascimento destacou-se em solo sueco. Ainda relutante em viajar por estar lesionado, acabou convencido pelo massagista Mário Américo e assumiu a célebre camisola 10 — que lhe foi atribuída de forma improvisada. Mesmo sem entrar nos dois primeiros jogos, terminou o torneio com seis golos, incluindo dois na final diante da Suécia.

Pelé tornou-se assim o jogador mais jovem a disputar uma final, o mais jovem a marcar numa final e o mais jovem a conquistar o título. Relatos da época contam que, após o apito final, desmaiou nos festejos e foi revigorado por Garrincha, sendo consolado por companheiros e membros da comitiva.
A final e a camisola azul
No Råsunda Stadium, onde o Brasil venceu por 5-2 a Suécia, surgiu uma imagem que ficou na história: a seleção brasileira envergando um equipamento alternativo azul. Uma coincidência de cores entre as duas equipas obrigou os visitantes a procurar alternativa rapidamente. As novas camisolas azuis foram associadas à imagem de Nossa Senhora Aparecida pelos próprios brasileiros e foram usadas na conquista do primeiro título mundial.

Também nessa final nasceria uma tradição hoje incontornável: Hilderaldo Bellini, capitão do Brasil, ergueu a taça acima da cabeça para satisfazer jornalistas e fotógrafos no relvado. O gesto repetiu‑se depois e transformou‑se num ritual das cerimónias de consagração.
Just Fontaine e o recorde que ainda se mantém
Uma das figuras do Mundial foi o avançado francês Just Fontaine, que marcou 13 golos na competição — o maior registo individual numa única edição da prova. Até hoje ninguém superou esse total; o húngaro Sándor Kocsis, com 11 golos em 1954, ficou mais perto.
A curiosidade por trás do número: Fontaine viajou com chuteiras gastas que se romperam antes do torneio começar. Um colega, Stéphane Bruey, emprestou‑lhe um par que acabou por contribuir para o desempenho histórico do avançado do Reims.
Resultados principais
- 8 de junho (fase de grupos): Argentina-RFA, 1-3; Irlanda do Norte-Checoslováquia, 1-0; França-Paraguai, 7-3; Jugoslávia-Escócia, 1-1; Suécia-México, 3-0; Hungria-País de Gales, 1-1; Brasil-Áustria, 3-0; União Soviética-Inglaterra, 2-2.
- 11 de junho (fase de grupos): RFA-Checoslováquia, 2-2; Argentina-Irlanda do Norte, 3-1; Jugoslávia-França, 3-2; Paraguai-Escócia, 3-2; México-País de Gales, 1-1; Brasil-Inglaterra, 0-0; União Soviética-Áustria, 2-0.
- 12 de junho (fase de grupos): Suécia-Hungria, 2-1.
- 15 de junho (fase de grupos): RFA-Irlanda do Norte, 2-2; Checoslováquia-Argentina, 6-1; França-Escócia, 2-1; Paraguai-Jugoslávia, 3-3; Suécia-País de Gales, 0-0; Hungria-México, 4-0; Inglaterra-Áustria, 2-2; Brasil-União Soviética, 2-0.
- 17 de junho (playoffs de grupos): Irlanda do Norte-Checoslováquia, 2-1; País de Gales-Hungria, 2-1; União Soviética-Inglaterra, 1-0.
- 19 de junho (quartos de final): Brasil-País de Gales, 1-0; França-Irlanda do Norte, 4-0; Suécia-União Soviética, 2-0; RFA-Jugoslávia, 1-0.
- 24 de junho (meias-finais): Brasil-França, 5-2; Suécia-RFA, 3-1.
- 28 de junho (3.º/4.º lugar): França-RFA, 6-3.
- 29 de junho (final): Brasil-Suécia, 5-2.
O Mundial de 1958 ficou assim marcado por inovações competitivas, momentos de celebração que se tornaram tradição e performances individuais que continuam a fazer parte da memória do futebol.












