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Luís Montenegro respondeu nesta segunda-feira, 10 de agosto, aos alertas do Presidente da República sobre falhas na prevenção de incêndios, garantindo que o Governo alterou a distribuição do investimento nesta área. O primeiro‑ministro admite atrasos em algumas medidas, mas afirma que a prioridade passou para a prevenção.
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Em Fafe, durante a inauguração da Loja do Cidadão, Montenegro explicou que a fatia do orçamento dedicada à prevenção cresceu de forma significativa desde a entrada do atual executivo. Segundo o primeiro‑ministro, hoje a prevenção absorve 54% da despesa, contra cerca de 20% quando o governo anterior saiu do poder.

O líder do Governo usou o dado para sublinhar uma mudança de estratégia: menos foco exclusivo no combate e mais investimento em medidas que reduzam a probabilidade de riscos se tornarem incêndios de grande dimensão.
Críticas públicas e reconhecimento
Na véspera, o Presidente da República tinha alertado, durante uma visita à Guarda, para a persistência de falhas assinaladas após os grandes fogos de 2017 e para o risco de recomendações ficarem “na gaveta”.
António José Seguro também apontou atrasos nas promessas de investimento na Serra da Estrela. Montenegro disse compreender essas críticas e considerou que Seguro «fez muito bem» ao sinalizar os atrasos.
Admitir atrasos sem negar avanços
Apesar de defender o caminho seguido, o primeiro‑ministro não negou que algumas intervenções preventivas foram mais lentas do que o previsto. «Muitas das medidas preventivas estão em execução e no terreno, e outras foram manifestamente retardadas», declarou, acrescentando que esses atrasos não deveriam ter ocorrido.

Capacidade de resposta e primeiro ataque
Montenegro afirmou que o reforço da prevenção tem corrido em paralelo com um aumento da capacidade de combate. Segundo o primeiro‑ministro, este ano Portugal dispõe do «maior dispositivo especial de combate a incêndios rurais de sempre», em termos de meios humanos e equipamentos.

O Governo tem também reforçado parcerias internacionais, nomeadamente com Espanha, Marrocos e outros Estados-membros, através do mecanismo europeu de proteção civil. O objetivo é melhorar a rapidez e a eficácia das operações conjuntas.
Sobre o chamado primeiro ataque — as intervenções iniciais junto aos focos — Montenegro garantiu que a taxa de sucesso ultrapassa os 95%. Ainda assim, reconheceu que nem sempre é possível evitar a progressão de determinados focos.
O que falta fazer
Para o primeiro‑ministro, prevenção eficaz exige «muita prontidão», atenção constante e patrulhamento, além da colaboração da população para reduzir comportamentos de risco. Montenegro afirmou que há «margem para fazer mais» e que o Governo continuará a procurar aumentar os esforços já feitos.
O tom seguido na resposta evitou enquadrar o episódio como um confronto institucional. Montenegro rejeitou a ideia de tensão entre os órgãos de soberania e apelou ao respeito e à convergência nas posições.












