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Na sessão plenária de quarta-feira, 1 de julho, o partido Livre interpela o Governo sobre a capacidade de resposta aos incêndios florestais numa onda de calor com máximos acima dos 40 ºC. O debate expôs divisões políticas e a falta de ministros responsáveis pela área, segundo o deputado que lançou a questão.
O deputado do Livre, Jorge Pinto, pediu esclarecimentos sobre a preparação do país face a uma vaga de calor que, afirmou, representa um claro risco para a saúde e aumenta a probabilidade de incêndios severos. Pinto salientou que esta nova realidade climática — que chamou de “novo normal” — exige medidas antecipadas e maior prontidão dos serviços de combate a fogos.
Na intervenção, o deputado também criticou a insuficiente limpeza de terrenos após as tempestades do início do ano. Referiu que ainda se encontram por recolher “toneladas de lenha” no centro do país e apelou a tolerância em relação aos proprietários que não conseguiram cumprir prazos, citando a posição da Federação Nacional das Associações de Proprietários Florestais sobre trabalhos em andamento e a necessidade de evitar multas imediatas a partir de 1 de julho.
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Governo diz ter reforçado o dispositivo
Em resposta, o secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, afirmou que 2026 será o ano com “mais operacionais, mais equipas e mais meios disponíveis” durante o período crítico, entre 15 de maio e 15 de outubro. Segundo Rui Rocha, o reforço decorre de um trabalho contínuo de planeamento, investimento e coordenação.
O governante explicou que o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) foi aprovado mais cedo este ano, após a avaliação das ocorrências do ano anterior. As previsões de temperaturas muito elevadas levaram a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) a antecipar a subida do nível de prontidão.
“A prontidão vai sendo determinada em função das condições”, afirmou Rui Rocha, anunciando que o estado de prontidão deverá ser elevado para o nível 3 entre quinta‑feira e o fim de semana, conforme a evolução meteorológica.
Quanto aos meios, o secretário de Estado destacou o que classificou como o “maior dispositivo aéreo de sempre”, integrado por 78 aeronaves — 81 se contados os meios da Afocelca — e a inclusão, pela primeira vez, de dois helicópteros Black Hawk da Força Aérea Portuguesa. No plano terrestre, o dispositivo passará a contar com mais de 15.000 operacionais e mais de 3.400 veículos.
Rui Rocha, porém, lembrou que a capacidade operacional não pode controlar fatores meteorológicos como temperaturas extremas, humidade muito baixa e vento forte, que continuam a ser variáveis determinantes na propagação dos fogos. “Confiança, prudência e realismo”, disse, devem andar juntos.
Fecho do debate: acusações mútuas
O líder parlamentar do Chega, Pedro Pinto, minimizou o relevo das temperaturas extremas — referiu os 41 ºC registados em Santarém e disse, em tom de desvalorização, que “chama‑se verão”. Ainda assim, questionou a efetiva prontidão do Governo e criticou a cultura de limpeza dos terrenos privados e o estado das áreas públicas.
Pedro Pinto levantou ainda questões sobre o tratamento dos bombeiros e a responsabilização dos incendiários, citando ironicamente uma frase do secretário de Estado sobre responsabilidade nas operações.
Do Bloco de Esquerda, o deputado único Fabian Figueiredo acusou o Chega de negacionismo face às alterações climáticas e recordou que a onda de calor teve início a 24 de maio, já na primavera. Figueiredo comparou a postura de desvalorização ao comentário do comandante do Titanic sobre um iceberg e lembrou que, no ano passado, Portugal registou uma das maiores sobretaxas de mortalidade da Europa, com mais de 1.300 mortes atribuídas ao calor.
O debate terminou com posições bem marcadas: enquanto o Governo sublinha o reforço de meios e a necessidade de manter alerta e coordenação, a oposição pede medidas mais concretas na prevenção, limpeza de terrenos e apoio às populações mais vulneráveis.












