Primeiros clubes dos 27 convocados: quem se mantém, quem já foi histórico e quem sofreu declínio

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O aumento para 48 seleções transformou o Mundial numa plataforma ainda mais representativa do futebol global — e Portugal surge entre os candidatos ao título. Ao mesmo tempo, o Campeonato português vê muitos dos seus jogadores espalharem-se pelas seleções presentes no Canadá, Estados Unidos e México, com clubes nacionais a marcarem presença em várias camisolas.

Quem mais contribui: Benfica lidera

Entre os clubes portugueses, o Benfica aparece como o que mais jogadores levou para a fase final: são oito nomes com vínculo ao emblema lisboeta. Entre eles destacam-se Tomás Araújo (Portugal), os noruegueses Fredrik Aursnes e Andreas Schjelderup, e o experiente Nico Otamendi (Argentina), embora este último já tenha assinado contrato com o River Plate. A lista inclui ainda Sidny Lopes Cabral (Cabo Verde), Dodi Lukebakio (Bélgica), Richard Ríos (Colômbia) e Amar Dedic (Bósnia).

Chuteiras e camisolas do clube num balneário vazio
Benfica lidera entre os clubes portugueses em número de convocados.

O Sporting surge logo atrás, com sete jogadores na competição. Entre os citados pelo clube estão Rui Silva, Gonçalo Inácio e Francisco Trincão, e o grupo inclui Maxi Araújo (Uruguai), Zeno Debast (Bélgica), Ousmane Diomande (Costa do Marfim) e Luis Suárez (Colômbia).

O Sp. Braga contribui com quatro internacionais — Florian Grillitsch (Áustria), Lukás Hornícek (República Checa), Gustaf Lagerbielke (Suécia) e Rodrigo Zalazar (Uruguai) — enquanto o FC Porto tem, nesta convocatória, três representantes que viajarão para a América do Norte: Diogo Costa (Portugal), Deniz Gül (Turquia) e Seko Fofana (Costa do Marfim), este último em processo de saída do clube. Do segundo escalão, o Vizela aparece com Leverton Pierre e Yassin Fortuné, ao serviço do Haiti, que fará a sua estreia em Mundiais.

As origens portuguesas em seleções africanas e americanas

Vários jogadores com percurso em clubes nacionais representam seleções africanas e de outros continentes. Cabo Verde, por exemplo, reúne vários nomes ligados ao futebol português: Jovane Cabral (E. Amadora), Telmo Arcanjo (V. Guimarães), Dailon Livramente (Casa Pia), Vozinha (Desp. Chaves), Stopira (Torreense) e Yannick Semedo (Farense). Do Gil Vicente vem Ghislain Konan, convocado por Costa do Marfim, e do Tondela partiu Yaya Sithole, selecionado pela África do Sul.

Primeiros clubes: um raio-X das origens

O Observador analisou os clubes onde começaram a jogar os 27 convocados por Roberto Martínez para o Mundial-2026. O resultado mostra uma dispersão grande: muitos fizeram os primeiros passos longe dos grandes centros e apenas quatro internacionais portugueses iniciaram-se num dos três grandes.

Crianças a treinar num campo escolar, representando clubes formadores
Clubes pequenos e projetos locais formaram muitos dos convocados.

  1. Diogo Costa — Associação de Moradores do Complexo Habitacional de Ringe
  2. Nélson Semedo — Sport União Sintrense
  3. Rúben Dias — Clube de Futebol Estrela da Amadora
  4. Tomás Araújo — Operário Futebol Clube 1960
  5. Diogo Dalot — Escola de Futebol Fintas
  6. Matheus Nunes — Grupo Desportivo União Ericeirense
  7. Cristiano Ronaldo — Clube de Futebol Andorinha
  8. Bruno Fernandes — Futebol Clube de Infesta
  9. Gonçalo Ramos — Sporting Clube Olhanense
  10. Bernardo Silva — Sport Lisboa e Benfica
  11. João Félix — Escola de Futebol “Os Pestinhas”
  12. José Sá — Palmeiras Futebol Clube
  13. Renato Veiga — Atlético Clube do Cacém
  14. Gonçalo Inácio — Almada Atlético Clube
  15. João Neves — Casa do Benfica de Tavira
  16. Francisco Trincão — Sport Clube Vianense
  17. Rafael Leão — Amora Futebol Clube
  18. Pedro Neto — Sport Clube Vianense
  19. Gonçalo Guedes — Sport Lisboa e Benfica
  20. João Cancelo — Futebol Clube Barreirense
  21. Rúben Neves — Futebol Clube do Porto
  22. Rui Silva — Futebol Clube da Maia
  23. Vitinha — Associação de Moradores do Complexo Habitacional de Ringe
  24. Samu Costa — Sport Clube Beira-Mar
  25. Nuno Mendes — Futebol Clube Despertar
  26. Francisco Conceição — Sporting Clube de Portugal
  27. Ricardo Velho — Escola de Futebol Fernando Pires

Grandes clubes, trajetórias distintas

Apesar da dominância mediática dos três grandes, as histórias individuais variam. Bernardo Silva e Gonçalo Guedes começaram no Benfica, mas seguiram caminhos diferentes: Bernardo saiu cedo para o Mónaco após oportunidades limitadas na equipa principal; Gonçalo viveu períodos mais prolongados no clube, repartidos em dois momentos distintos.

Rúben Neves é um exemplo do percurso de formação clássico do FC Porto: chegou em 2005, passou por todas as camadas e rapidamente assumiu papel central. O médio tornou-se, aos 18 anos, o capitão mais jovem na história da Liga dos Campeões, superando um recorde anterior. Já Francisco Conceição, embora identificado publicamente com o FC Porto, iniciou-se no Sporting, onde esteve na formação antes de se transferir para os dragões.

Clubes de província e projetos formativos

Vários dos primeiros clubes destacados operam longe dos holofotes e têm um papel decisivo na formação. O Vianense, prestes a competir na Liga 3, é exemplo disso: foi ali que começaram Francisco Trincão e Pedro Neto, separados por alguns anos, e o clube regressa ao terceiro escalão depois de longa ausência.

Outro caso curioso é o da Associação de Moradores de Ringe, local onde se cruzaram Diogo Costa e Vitinha — dois jogadores que seguiram trajetórias quase paralelas até ao futebol profissional. Enquanto os atletas subiram aos relvados internacionais, o clube de bairro manteve a atividade amadora, com presença no torneio Inatel do Porto.

História, problemas financeiros e resiliência

Vários clubes históricos sofreram declínios por motivos económicos, mas mantêm a relevância formativa. O Amora, primeiro clube de Rafael Leão, alternou entre divisões e passou por mudanças de propriedade na SAD, sem perder o papel na formação na região de Setúbal.

Beira-Mar e Sintrense são outros exemplos: o primeiro viveu uma queda acentuada que o levou aos distritais e a uma reestruturação financeira em 2014; o segundo, centenário, tem sido alvo de investimento recente na sua SAD. Barreirense e Olhanense também passaram por períodos complicados e lutam para recuperar posicionamento competitivo e estabilidade.

Por fim, clubes muito modestos figuram no mapa de origem de vários internacionais: o Andorinha, em Santo António (Funchal), onde começou Cristiano Ronaldo, celebrou 100 anos e mantém presença na formação; o Ericeirense é lembrado por ter dado os primeiros toques a Matheus Nunes; e escolas locais como a Fintas, a Casa do Benfica de Tavira e a Escola Fernando Pires continuam a aparecer como pontos de partida para carreiras que hoje brilham no palco mundial.

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