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Em Boticas, após o fogo que consumiu cerca de 3.000 hectares, o secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, pediu maior cuidado no uso da floresta e alertou para o maior desafio quando há várias ignições ao mesmo tempo — e sobretudo durante a noite. O apelo foi feito numa reunião com responsáveis locais, depois de um dos maiores incêndios do verão na região.
Apelo à responsabilidade individual
Rui Rocha insistiu na necessidade de evitar comportamentos de risco junto à floresta e pediu vigilância da população para movimentações suspeitas. O secretário de Estado citou o relatório da Comissão Técnica Independente para sublinhar que, na sua maioria, os incêndios têm mão humana, seja por negligência ou por dolo.

Ignisões simultâneas complicam o combate
Segundo o governante, o combate torna‑se mais difícil quando surgem várias ignições em simultâneo ou quando novos focos aparecem enquanto já existe um incêndio ativo. A situação agrava‑se à noite, porque os meios aéreos ficam impossibilitados de operar.
Rui Rocha referiu ainda episódios anteriores em outras zonas do país, como Vouzela, Ponte de Lima e Vila Flor, para ilustrar padrões que considera anormais e preocupantes quando múltiplos pontos de fogo aparecem na mesma área.
Dispositivo reforçado e condições meteorológicas
O responsável afirmou que o dispositivo de resposta já «foi alavancado» para garantir maior prontidão. O mecanismo permanece ativo até 15 de outubro, disse, e as ações de avaliação em terreno visam identificar melhorias a aplicar ainda esta época.

Na mesma semana, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) estendeu o aviso amarelo de tempo quente até sábado e ampliou a área de aviso de 11 para 14 distritos. Vários concelhos foram colocados em risco máximo ou muito elevado de incêndio rural, segundo o IPMA.
O que aconteceu em Boticas
A reunião em Boticas serviu para ouvir comandantes dos bombeiros, elementos da Proteção Civil e autarcas envolvidos no combate aos fogos que atingiram o concelho de Vila Real. Entre a noite de 15 e 20 de agosto deflagraram vários focos na freguesia de Ardãos e Bobadela. Registaram‑se também dois incêndios na aldeia de Nogueira — um dos quais alastrou até Chaves — e um fogo em Ardãos que entrou no concelho de Montalegre.
Os incêndios que começaram naquele território foram responsáveis por uma área de aproximadamente 3.000 hectares.
Avaliação de ocorrências e reclamações locais
Rui Rocha anunciou que tem promovido encontros nas zonas afetadas por grandes fogos e que, na sexta‑feira, estará em Torre de Moncorvo e Arouca para dar seguimento a essas análises. O objetivo, disse, é não esperar pelo novo dispositivo de 2027 para corrigir falhas ainda esta época.
Quanto a um abaixo‑assinado de populares de Carrazeda de Ansiães que criticam a atuação da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) no incêndio iniciado em Torre de Moncorvo, o secretário de Estado afirmou aguardar a entrega formal da petição e garantiu que será feita avaliação da ocorrência para apurar se algo não correu bem.
O recado final de Rui Rocha foi de prevenção: evitar qualquer atividade na floresta ou nas imediações que possa dar origem a ignições e manter a comunidade atenta e a comunicar situações suspeitas às autoridades.












