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O regresso às aulas traz alívio a muitos pais, mas para outras famílias pode significar ansiedade e faltas escolares. Especialistas ouvidos pela CNN dizem que a evasão escolar tem aumentado e apontam o excesso de tempo em ecrãs e a falta de apoio nas escolas como causas frequentes.
Por que este problema tem crescido?
Educadores e profissionais que lidam com crianças relatam um aumento dos casos de recusa em ir à escola. Jayne Demsky, fundadora da School Avoidance Alliance, com sede em Mahwah, Nova Jérsia, nota que mais pais têm procurado apoio online.
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Do lado das rotinas domésticas, o verão costuma intensificar o uso de dispositivos. Muitas aplicações foram projetadas para prender a atenção e oferecer recompensas constantes, o que torna difícil para jovens trocarem essa estimulação pelo ambiente escolar, mais exigente e com menos gratificação imediata.
No espaço escolar, segundo relatos de pais, há também deficiências: longos períodos sentados, pouco tempo ao ar livre, poucas oportunidades de brincar e, em alguns casos, demasiado tempo diante de ecrãs. Esses fatores podem agravar o desinteresse ou a ansiedade em relação às aulas.
Como reduzir o impacto dos ecrãs antes das aulas
Reduzir o tempo de utilização de dispositivos de forma súbita no primeiro dia de aulas costuma ser ineficaz. Uma transição gradual, iniciada já nas semanas que antecedem o regresso, tende a funcionar melhor.
Estabeleça limites claros, proponha alternativas prazerosas sem ecrã e ajuste progressivamente os horários de sono. Evite permitir que a criança durma no mesmo quarto que o telemóvel: tirar o aparelho do quarto facilita a higiene do sono.
Muitas crianças que evitam a escola alteram o ciclo do sono para escapar da culpa associada às faltas, ficando acordadas até tarde e dormindo durante o dia. Cortar distrações à noite pode ajudar a reverter esse padrão.
Fortaleça ligações na escola
Conexões com colegas e adultos no ambiente escolar são um dos fatores que ajudam as crianças a manterem-se frequentando as aulas. Quando não existe esse vínculo, alunos mais reservados podem passar despercebidos.

Peça ao professor, ao psicólogo escolar ou ao orientador que conversem individualmente com o seu filho para conhecê‑lo melhor. Incentive a participação em atividades extracurriculares e reserve tempo livre não estruturado para encontros entre amigos — ambos reforçam relações sociais.
Se usar um smartphone é parte do problema, considere alternativas como um telemóvel básico, um smartwatch com funcionalidades limitadas ou até o telefone fixo, para permitir contacto sem acesso irrestrito à internet.
Como agir em casa: evitar reações que agravem a ansiedade
Reagir com gritos ou experiências bruscas para forçar a criança a levantar-se costuma piorar a situação. Demonstrar compreensão e calma ajuda a reduzir a tensão e a confiança dela.
Frases de apoio, que reconheçam a dificuldade sem culpabilizar, são mais úteis do que castigos imediatos. Quando a escola começa a enviar notificações por ausências, a melhor resposta é marcar uma conversa com a equipa escolar para procurar soluções conjuntas, e não aumentar a pressão em casa.
Procure avaliação e apoio profissional
Se a recusa escolar persistir, vale consultar um profissional de saúde mental para avaliar ansiedade, depressão ou outras questões emocionais. Também é possível que a criança precise de adaptações pedagógicas por dificuldades de aprendizagem; nesse caso, peça por escrito uma avaliação à escola.
Contacte o psicólogo ou orientador escolar para coordenação do apoio. Se houver motivos concretos para o descontentamento na escola, fale com o professor ou o diretor e solicite alterações específicas. Defender mudanças, como reduzir o uso de ecrãs no estabelecimento de ensino, pode melhorar a experiência de muitos alunos.
Medidas práticas
- Reduza gradualmente o tempo de ecrã nas semanas prévias ao regresso.
- Estabeleça horário de sono regular e retire dispositivos do quarto.
- Combine com a escola encontros para conhecer a situação do seu filho.
- Peça avaliação formal por escrito se suspeitar de dificuldades de aprendizagem.
Muitas crianças não ficam entusiasmadas com o regresso às aulas. Recuperar atividades simples — lápis, papel, brincadeiras — e ouvir as suas preocupações com atenção pode ser um primeiro passo para que voltem à rotina com mais confiança. Apoio, paciência e atuação coordenada entre família e escola costumam fazer a diferença.












