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Todd Blanche foi confirmado como procurador‑geral dos Estados Unidos numa votação apertada do Senado que consolida a sua transição de advogado do presidente para chefe permanente do Departamento de Justiça. A nomeação formaliza uma influência que, segundo relatos, já vinha moldando a atuação do ministério desde a volta de Donald Trump à Casa Branca.
Blanche, 52 anos, recebeu a confirmação por 50 votos contra 49. As senadoras republicanas Susan Collins e Lisa Murkowski juntaram‑se aos democratas para votar contra a nomeação.
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Do defensor de Trump ao comando do ministério
Desde que reassumiu a presidência, Trump colocou Blanche numa posição central dentro do Departamento de Justiça. O advogado deixou de ser apenas um conselheiro na defesa pessoal do presidente e passou a liderar mudanças institucionais que aliados e críticos descrevem como profundas.

Entre as ações atribuídas a Blanche estão a formulação de argumentos legais que ampliam proteções presidenciais, a supervisão de despedimentos em larga escala de procuradores e funcionários e uma estratégia jurídica que, em diversos casos, motivou questionamentos de juízes sobre as decisões do Departamento.
Medidas polêmicas sob sua liderança
Nos meses em que atuou como procurador‑geral interino, o Departamento apresentou denúncias contra figuras políticas, incluindo o ex‑diretor do FBI James Comey; emitiu intimações buscando identificar fontes jornalísticas; criou e depois abandonou um fundo destinado a combater a alegada **instrumentalização** do ministério; e aprovou um acordo de imunidade fiscal com o IRS.
Essas iniciativas contribuíram para um clima de tensão entre o Departamento e críticos que veem um reposicionamento ideológico do órgão.
Gestão de crises e o caso Epstein
Blanche ganhou visibilidade durante as repercussões provocadas pela divulgação de arquivos ligados ao caso Epstein. Quando a então procuradora‑geral Pam Bondi foi afastada temporariamente após aparições públicas problemáticas, Blanche assumiu a frente das comunicações e, segundo Bondi, passou a gerir a crise sozinho.
Relatos à imprensa indicam que, mesmo antes da confirmação, Blanche já coordenava reuniões e decisões que normalmente seriam tratadas pelo titular do cargo.

Prioridades anunciadas e próximos passos
Fontes disseram à CNN que, confirmando‑se, Blanche deve avançar com processos que visem demonstrar casos que a administração classifica como **instrumentalização** do Departamento de Justiça contra Trump, aliados e apoiadores. Também são esperadas ações em áreas centrais da agenda do presidente: políticas de imigração mais rígidas e uma ofensiva contra fraudes em programas governamentais.
Perfil e trajetória
Antes de voltar ao serviço público, Blanche atuou por anos como procurador federal e, depois, na advocacia privada. Trabalhou como sócio no escritório nova‑iorquino Cadwalader, Wickersham & Taft, de onde saiu para integrar a equipe de defesa de Trump em 2023, quando o então presidente enfrentava múltiplos processos criminais.

Fontes próximas afirmam que a decisão surpreendeu colegas. Registrado como democrata, Blanche não costumava expor posições partidárias em público. Ainda assim, passou a adotar a retórica do cliente e ganhou destaque na defesa em casos de grande repercussão, incluindo o processo relativo a pagamentos para silenciar suposta relação extraconjugal em Nova Iorque.
Estratégias da sua equipe ajudaram a postergar uma sentença para depois das eleições e também conseguiram, no Supremo Tribunal, ampliar proteções presidenciais em processo federal sobre interferência eleitoral. Em outro processo federal, um juiz federal da Flórida acabou por rejeitar acusações relacionadas a documentos classificados.
Negociações difíceis para a confirmação
A trajetória até a aprovação no Senado foi marcada por negociações intensas. Blanche passou semanas cortejando senadores indecisos, mas não logrou apoio unânime dentro do próprio partido.
A senadora Lisa Murkowski manteve o voto contrário, mesmo após uma visita de dois dias ao Alasca, acordos legais e liberação de fundos para o estado. “O país precisa de um procurador‑geral que controle os piores impulsos desta administração”, disse Murkowski ao justificar sua decisão, acrescentando que não tinha confiança de que Blanche cumpriria esse papel.
O voto do senador Bill Cassidy também exigiu explicações. Ele manifestou preocupação com possíveis casos de instrumentalização do Departamento, citando, entre outros pontos, uma investigação envolvendo Cassidy Hutchinson, ex‑assessora da Casa Branca. Não está claro se o Departamento de Justiça vai apresentar acusações contra ela.
Negociações com senadores republicanos John Cornyn e Thom Tillis atrasaram a votação na Comissão Judiciária do Senado. Para atender exigências, Blanche assinou um memorando que encerrou o fundo contra a instrumentalização e divulgou outro documento — sem assinatura — para esclarecer os termos do acordo de imunidade fiscal com o IRS.
Com a confirmação, Blanche assume formalmente o comando do **Departamento de Justiça** num momento em que decisões do ministério terão impacto direto sobre investigações de alto perfil e sobre a agenda da administração.












