Caso Luís Neves: responsável financeiro da PJ admite ceder reboque a empreiteiro por falta de opção

Mostrar resumo Ocultar resumo

A Polícia Judiciária terá confiado temporariamente a guarda de um reboque com bidões de produtos químicos a um empreiteiro privado por falta de alternativas logísticas e financeiras, segundo a CNN Portugal. A decisão, que envolveu o diretor financeiro e do património da PJ, levanta perguntas sobre o destino dos materiais apreendidos e sobre a incapacidade de proceder à sua destruição.

Como surgiu a solução temporária

Segundo a reportagem, o diretor financeiro e do património da Polícia Judiciária, responsável pela administração dos bens apreendidos, assumiu internamente ter sido ele a propor a entrega provisória do reboque ao empreiteiro João Carvalho. A transferência ocorreu após um pedido do próprio empreiteiro para acolher o atrelado num armazém seu, sem custo.

Na ocasião, Álvaro Pires estava a fiscalizar uma obra da PJ acompanhado por Carvalho, dono da Construbarcelos, que se ofereceu também para procurar empresas no norte do país que aceitassem destruir os químicos por preços bem mais baixos que os inicialmente apontados. A solução recebeu o aval do então diretor nacional da PJ, Luís Neves, diante da ausência de alternativas imediatas.

Pedidos de destruição e limitações financeiras

Os produtos foram apreendidos numa operação antidroga a 4 de dezembro de 2024. Dois dias depois, o Ministério Público emitiu uma ordem para a destruição dos materiais.

O núcleo de apreendidos da PJ, coordenado pela área sob a responsabilidade de Álvaro Pires, solicitou orçamentos para esse fim e recebeu uma proposta no valor de 144 mil euros — um montante que a polícia considerou insustentável. A Marinha chegou a oferecer ajuda para encontrar uma solução, mas não conseguiu localizar uma alternativa viável e, no verão seguinte, pediu que o reboque fosse retirado das suas instalações no Seixal devido ao risco de incêndio.

Situação atual do atrelado e dificuldades logísticas

Passados nove meses, a PJ recuperou o reboque no armazém da Construbarcelos. No entanto, a carga com os bidões químicos acabou estacionada na rua, junto ao armazém da PJ em Tires.

Dentro do parque da PJ em Tires não há espaço livre: além dos bidões, encontram-se no interior destroços do elevador acidentado da Glória e outros bens apreendidos. Nos meses seguintes à proposta inicial, a investigação não identificou qualquer empresa com a credenciação necessária para proceder à destruição dos produtos.

O que está em aberto

O caso reúne questões práticas e de responsabilidade institucional: como alocar local seguro para armazenar substâncias perigosas apreendidas, quem financia a sua eliminação e que critérios orientaram a decisão de depositá-las provisoriamente num armazém privado. A reportagem da CNN Portugal é a fonte das informações sobre a sequência dos factos e das decisões internas mencionadas.

Dê o seu feedback

Seja o primeiro a avaliar este post
ou deixe uma avaliação detalhada



Semanário Transmontano é um meio independente. Apoie-nos adicionando-nos aos seus favoritos do Google News:

Publicar um comentário

Publicar um comentário