Casamento, acidente e acusação: como um jovem casal viu o futuro desaparecer

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Um agente do gabinete do xerife do Condado de Riverside foi acusado de homicídio por negligência grosseira após uma viatura policial, em serviço, atravessar um semáforo vermelho e colidir com o carro onde seguiam um jovem casal — o acidente matou o noivo e deixou a noiva com ferimentos permanentes, poucos meses antes do casamento.

Acusações formais e situação do agente

O Ministério Público do Condado de Riverside anunciou que Glynn Wilburn, 42 anos, foi acusado de homicídio por negligência grosseira com veículo e de condução perigosa causadora de ferimentos graves. Os promotores também pedem o agravamento da pena com base na gravidade dos danos às vítimas.

Wilburn, que estava em serviço no momento da colisão, foi afastado temporariamente do trabalho pelo gabinete do xerife e, segundo o condado, foi emitido um mandado para a sua detenção. O escritório do procurador informou que, se condenado por todas as acusações, ele pode enfrentar até 14 anos de prisão. Não há data marcada para a primeira audiência.

O que as investigações apontam

O acidente ocorreu em setembro em Beaumont. De acordo com as conclusões da Patrulha Rodoviária da Califórnia (CHP) e com o processo do Ministério Público, Wilburn seguia em resposta a relatos de disparos, com luzes e sirene ligadas, quando atravessou um cruzamento na Cherry Valley Boulevard.

Registros do veículo patrulha mostram que o agente circulava a cerca de 160 km/h e que, nos segundos anteriores ao impacto, tentou manobrar para evitar a colisão — virou o volante à direita, tirou o pé do acelerador e freou, reduzindo a velocidade de aproximadamente 158 km/h para 122 km/h pouco antes do choque. O impacto foi lateral contra um Tesla onde estavam Gavin Hinkley, de 21 anos, e Madeline Fox, de 20.

A CHP relata que Wilburn não estava com cinto de segurança e relatou escoriações na cabeça, inchaço na base do pescoço e dores no braço e no joelho esquerdos. Os investigadores afirmam também que, momentos antes do acidente, a central de comunicações já havia confirmado que outros agentes estavam no local do suposto tiroteio, que o veículo suspeito havia saído da área e que não havia feridos.

Vítimas e consequências

Segundo o relatório policial, Hinkley morreu no acidente. Fox sobreviveu, mas sofreu ferimentos graves e permanentes — os procuradores descrevem lesões que levaram a coma por causa de traumatismo cerebral ou a paralisia permanente.

Os pais de Gavin afirmam que as acusações representam “um passo importante para responsabilizar quem praticou os atos evitáveis e imprudentes” que tiraram a vida do filho. Em comunicado, a família descreve Gavin como uma pessoa querida, com a vida planeada ao lado da noiva; o casamento estava marcado para 25 de outubro de 2025.

Processo civil em curso

Além das acusações criminais, as famílias moveram uma ação cível — apresentada em dezembro e alterada em abril — contra Wilburn, o condado de Riverside e as cidades de Beaumont e Calimesa. No processo, alegam que o cruzamento onde ocorreu a colisão era inseguro devido à configuração da via, à vegetação e à presença de equipamentos de serviços públicos, fatores que teriam reduzido a visibilidade.

Os autores da ação também sustentam que a resposta de emergência foi inadequada: acusam socorristas e a empresa de ambulâncias de primeiro assistirem e transportarem o agente, em vez de priorizarem o casal, situação que, segundo eles, atrasou cuidados essenciais e agravou lesões. Em contrapartida, as defesas pediram, a 3 de junho, que o juiz rejeite parte das reclamações por faltarem fundamentos jurídicos, e a audiência para decidir sobre essa moção está marcada para 3 de agosto.

Posições das partes

Os advogados das famílias e os familiares têm pedido responsabilização ampla. Os pais de Madeline afirmam que privilégios legais concedidos a agentes só se justificam quando exercidos com atenção à segurança de terceiros.

Por outro lado, a cidade de Calimesa negou responsabilidade pela condição da via e afirmou que não controlava as operações do centro de despacho nem a conduta dos socorristas, argumentando que, por isso, não pode ser responsabilizada por eventuais erros desses operadores.

O procurador do Condado de Riverside, Michael Hestrin, destacou a necessidade de uma avaliação rigorosa quando um incidente envolve um agente em serviço, levando em conta a natureza da ocorrência, a resposta do policial e as normas que regem a condução de veículos de emergência.

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