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O discurso do presidente Donald Trump no Jantar dos Correspondentes da Casa Branca terminou marcado por desconexão e críticas. A apresentação — longa e irregular — expôs tanto o seu incômodo com a cobertura jornalística quanto o papel simbólico da Primeira Emenda naquela noite.
Uma intervenção que não decolou
Trump passou cerca de uma hora no palco fazendo piadas que raramente arrancaram risos. Tentou usar o próprio fracasso cômico como recurso — uma metapiada sobre suas falhas —, mas o efeito foi limitado e a performance foi amplamente ridicularizada nas redes e na transmissão ao vivo.
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O discurso misturou insultos dirigidos a repórteres nomeados, apelidos antigos para adversários e um número incomum de brincadeiras sobre peso que muitos consideraram de mau gosto. Em vários momentos o presidente pareceu irritado com o material que lhe deram: “Alguém entende isto?”, chegou a perguntar, numa passagem que refletiu a confusão geral.
Numa tentativa de sublinhar sua dependência da atenção da imprensa, afirmou: “Quando eu for embora, todos vocês vão à falência”, e comentou sobre a presença de matérias sobre si na primeira página do New York Times.
Pressão sobre os meios de comunicação
As falas também deixaram clara a percepção de Trump sobre o poder dos media e o desejo de controlá‑los. Ele citou jornalistas da CNN e dirigiu‑se, diretamente ou em tom sarcástico, a executivos que vê como aliados.
Em resposta, o CEO da CNN, Mark Thompson, afirmou que a rede apoia seus repórteres e defende a integridade do seu jornalismo, destacando que o direito de reportar sem interferência governamental está protegido pela Constituição.
O presidente elogiou os irmãos Larry e David Ellison — que no ano passado assumiram o controlo da Paramount e têm tentado comprar a Warner Bros. Discovery — e mencionou mudanças na gestão da CBS News que envolveram Bari Weiss. A Paramount, segundo relatos, aceitou um adiamento de vários meses numa fusão enquanto questões jurídicas são resolvidas.
Em tom provocador, Trump colocou no fim do discurso um boné vermelho com a inscrição “Trump 2028”. Ele disse estar a brincar sobre nova candidatura, mas o acessório foi interpretado por muitos como cimento de uma provocação, dada a proibição constitucional de um terceiro mandato.
O público se afasta
À medida que o tom se tornava repetitivo e por vezes ressentido, parte da plateia se desligou. Repórteres presentes, como Betsy Klein, notaram que convidados consultavam o telemóvel, conversavam entre si ou iam ao bar e até à casa de banho durante o discurso.
Outra jornalista da CNN, Kristen Holmes, relatou que uma fonte republicana comparou o texto do discurso a um erro grave: “Quem escreveu este discurso deveria ser despedido.”
Analistas de mídia previram desdobramentos distintos nas redes: aliados de Trump podem interpretar o silêncio na sala como sinal de que ele “detonou” a imprensa, enquanto críticos enfatizam a falta de impacto real do pronunciamento.
Prémios, processos e momentos tensos
Durante a cerimônia, foram entregues prêmios de jornalismo. Uma das honrarias reconheceu uma equipe do Wall Street Journal pelo trabalho sobre uma carta de aniversário de teor obsceno ligada a Jeffrey Epstein, que continha a assinatura de Trump.
Wolf Blitzer, ao anunciar o prêmio, lembrou que Trump abriu um processo de 20 mil milhões de dólares contra o Journal e que, segundo o relato, chegou a revelar o endereço residencial de uma repórter. Blitzer afirmou que a família da jornalista precisou ser realojada. Trump reagiu rindo e mais tarde levantou‑se para cumprimentar os repórteres.
O presidente processa a empresa controladora do Journal; especialistas jurídicos citados no evento disseram que ele provavelmente perderá nas cortes.
Uma defesa explícita da imprensa
Antes de apresentar o presidente, Weijia Jiang, então presidente da Associação de Correspondentes da Casa Branca, falou sobre os limites entre crítica necessária e tentativas de minar o jornalismo. Ela sublinhou que criticar é saudável, mas que socavar a imprensa é perigoso — e lembrou que a Primeira Emenda é um dos pilares a proteger esse equilíbrio.
“Quando fazemos perguntas, o senhor reage. O senhor dá‑nos respostas, e nós reagimos”, disse Jiang, em palavras dirigidas a Trump, encerrando num brinde à liberdade de imprensa.
Em suma, a noite evidenciou tanto o atrito persistente entre a Casa Branca e veículos de comunicação quanto o simbolismo do jantar como palco da liberdade de imprensa — mesmo quando o espetáculo principal falha em entreter.












