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O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, descreveu como “chocante” o episódio em que um voto de André Ventura provocou emoção no hemiciclo. A reação do secretário‑geral da CGTP, observada a partir das galerias, marcou o debate sobre a reprovação, no Parlamento, do pacote que pretendia alterar o Código Laboral.
O episódio no Parlamento
Na sexta‑feira, 19 de junho, a proposta do Governo para reformar o Código Laboral foi chumbada: apenas PSD, CDS e IL votaram a favor. Foi nesse momento que, segundo Leitão Amaro, se viveu um dos mais perturbadores quadros políticos recentes, com o líder sindical a emocionar‑se enquanto acompanhava a votação.
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O ministro afirmou ter visto «um dos mais chocantes momentos na vida política», associando a emoção à decisão parlamentar que resultou numa derrota para a maioria governante.
Reacção no 43.º Congresso do PSD
O tema dominou intervenções durante o 43.º Congresso do PSD, realizado entre 20 e 21 de junho no Velódromo Nacional de Sangalhos. Militantes e membros do Governo usam o revés parlamentar para reforçar críticas à atuação dos partidos da oposição.
Leitão Amaro retomou essa interpretação perante os congressistas e projetou o debate para a agenda política do partido, apontando consequências eleitorais e geracionais das escolhas em votação.
Acusações a André Ventura e o discurso sobre mudança
O ministro dirigiu duras críticas ao líder do Chega, acusando André Ventura de ser «um travão do progresso» e «um adversário da juventude», expressão que repetiu para sublinhar a alegada responsabilidade do partido no chumbo do pacote laboral.
Leitão Amaro evocou ainda a ideia de que o PSD tem de «sofrer e resistir», recordando ataques políticos sofridos por antigos líderes como Francisco Sá Carneiro, Aníbal Cavaco Silva e Pedro Passos Coelho.
«Dum lado chamaram‑nos fascistas; doutro lado, chamaram‑nos frouxos», disse o ministro, defendendo que o partido persiste na intenção de transformar políticas apesar das críticas.
Migração, nacionalidade e linguagem do discurso
No mesmo discurso, Leitão Amaro abordou a questão da nacionalidade e da migração. Referiu que a lei da nacionalidade «foi aprovada pelo Parlamento e promulgada pelo Presidente da República, António José Seguro», formulação proferida por ele durante a intervenção.
O ministro também descreveu a chegada de imigrantes nos últimos anos com números e críticas à gestão, afirmando que «um milhão de pessoas entraram sem controlo em três ou quatro anos», e que o Executivo tinha procurado ajudar na integração dos que chegaram.
Respondendo a duas posições que descreveu como radicalismos opostos, Leitão Amaro afirmou que o Governo «recusou o radicalismo de uns que achavam que estava tudo bem com portas escancaradas, e de outros, que esquecem que somos todos seres humanos».
Fecho e tom político
Ainda sobre a votação do pacote laboral, o ministro qualificou os 60 deputados da bancada mais à direita no hemiciclo como os «novos comunistas do Chega». A intervenção evidencia a crescente tensão entre o PSD e os partidos à sua direita, bem como a aposta do partido em transformar a narrativa após a derrota parlamentar.












