Discordando de Montenegro, líder do PSD-Espinho entra na lista de não alinhados no Conselho Nacional

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Ricardo Bastos Sousa e a ex-deputada Joana Barata Lopes vão integrar a chamada lista C para o Conselho Nacional do PSD, anunciou a formação na véspera do congresso do partido. A lista reúne dirigentes e militantes críticos da atual direção, incluindo conselheiros já em funções.

Quem compõe a lista

A candidatura anunciada junta nomes conhecidos do partido: além de Ricardo Bastos Sousa e de Joana Barata Lopes, a lista inclui os atuais conselheiros nacionais André Pardal e Luís Rodrigues. Também foi confirmado o apoio de militantes do interior liderados por Nuno Costa Pais, da Covilhã.

Bastos Sousa foi reeleito, no início do ano, líder da concelhia social-democrata de Espinho. Naquela disputa enfrentou uma candidatura que teve o apoio público da mulher do presidente do partido, Luís Montenegro.

Contexto e riscos internos

O anúncio aconteceu na sexta-feira, um dia antes do Congresso do PSD no Velódromo de Sangalhos, no concelho da Anadia. Montenegro foi reconfirmado como presidente do partido por um terceiro mandato em eleições diretas que não tiveram outros candidatos.

Com o líder sem opositores nas urnas, o Conselho Nacional assume especial importância: será ali, dizem observadores internos, que se poderá medir a força dos correntes críticas à direção.

O caso de Espinho

A entrada de Bastos Sousa na lista ganha relevo por causa das tensões locais em Espinho. O processo eleitoral concelhio suscitou controvérsia após a derrota por dois votos da deputada Carolina Marques e alegações de intervenção do primeiro‑ministro.

O Conselho de Jurisdição Distrital de Aveiro determinou posteriormente a repetição de uma votação, devido a uma discrepância entre o número de eleitores e de votos — uma anomalia que, segundo a decisão, se verificou na eleição para a distrital e não na concelhia. O recurso apresentado pelo líder concelhio encontra-se agora em apreciação no Conselho de Jurisdição Nacional do PSD.

O que está em jogo

Para os críticos de Montenegro, a lista C pretende oferecer uma alternativa interna que represente dissidências organizadas. Para a direção, a votação no Conselho Nacional será um termómetro do apoio acumulado ao longo do mandato.

Independentemente do resultado, a movimentação evidencia uma disputa interna ativa. O desfecho no Congresso e nas votações seguintes pode influenciar debates sobre estratégia e direção do partido nos próximos meses.

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