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A proposta da Lufthansa para adquirir 49,9% da TAP foi considerada pelo Governo português como cumpridora das condições essenciais impostas — incluindo a manutenção do hub em Lisboa, rotas para o Brasil e salvaguarda dos trabalhadores. O acordo define também investimentos e calendário que podem transformar a posição da TAP na ligação entre os dois Atlânticos.
Garantias exigidas pelo Estado
O ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, afirmou em conferência de imprensa que a oferta da Lufthansa respeita as “condições estratégicas e críticas” exigidas pelo Executivo. Entre os compromissos estão a preservação do hub em Lisboa, a continuidade das rotas para as ilhas e para os países lusófonos, e a proteção da marca TAP.
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O Governo sublinhou ainda o compromisso com os trabalhadores: segundo Pinto Luz, os acordos coletivos serão integralmente respeitados e a estabilidade laboral será garantida durante o processo.
Mais peso no Atlântico
A operação reforçará a presença do grupo alemão na América Latina. Hoje com cerca de 9% de quota na região, a Lufthansa elevaria esse peso para cerca de 20% com a incorporação da TAP, segundo o ministro.
Além disso, a proposta inclui uma grande joint venture com a United Airlines e a Air Canada, que, nas palavras de Pinto Luz, visa consolidar a transportadora portuguesa como um “player” relevante tanto no Atlântico Sul como no Atlântico Norte.
Plano de frota e manutenção
O plano de frota prevê um acréscimo para 117 aeronaves até 2035 e para 130 unidades após a entrada em serviço do novo aeroporto de Lisboa. A Lufthansa comprometeu-se a transferir até oito Airbus A350-900 até 2030 e a renovar a frota da Portugália.

As operações de manutenção da TAP passam a integrar a rede da Lufthansa Technik, que promete elevar a capacidade técnica. O projeto prevê um investimento de 350 milhões de euros no centro de Santa Maria da Feira e a criação de mais de 700 postos de trabalho.
Condições financeiras e valorização
O Governo informou que a proposta da Lufthansa é aproximadamente 16% superior à oferta do grupo Air France-KLM na fase de venda minoritária. Na primeira fase, a oferta alemã representa um encaixe financeiro de 1.201 milhões de euros, contra 1.038 milhões apresentados pelo concorrente.
O Estado manterá a participação maioritária de 50,1%, segundo o primeiro‑ministro Luís Montenegro, que também destacou uma valorização total de 2.552 milhões de euros proposta pelo grupo alemão.
Possível segunda fase e privatização total
O plano prevê uma segunda etapa até 2028, na qual o capital remanescente poderia ser trocado por participação na holding do grupo. Essa alternativa inclui mais 488 milhões de euros e uma permuta de ações.
Se concretizada, a operação permitiria ao Estado tornar‑se o segundo maior acionista dentro do conglomerado, conforme salientou Pinto Luz, abrindo a porta a uma privatização completa no futuro.
Investimentos locais e impacto no emprego
Para além da frota e da manutenção, a proposta agrega outros investimentos ligados à TAP. Estão previstos uma escola de pilotos em Tancos, um centro de inovação em Aveiro e um centro de serviços corporativos.
O Governo estima que o crescimento da TAP possa gerar cerca de 3.000 empregos diretamente associados à companhia e que, no conjunto de todas as iniciativas, sejam criados aproximadamente 5.500 postos diretos e indiretos.
Governança e calendário
Apesar de a Lufthansa assumir a responsabilidade executiva e operacional, o Executivo pretende manter Luís Rodrigues como presidente executivo da TAP até 2028 e rejeita uma cogestão antes da conclusão do processo. A administração manterá a gestão corrente enquanto decorrem as autorizações regulatórias.
A concretização desta primeira fase está prevista até ao início de 2028, sujeita à aprovação de entidades reguladoras, incluindo a Comissão Europeia. A Lufthansa terá o direito de acompanhar o cumprimento do plano estratégico durante o período de autorização.
Com Lusa











