Mostrar resumo Ocultar resumo
Uma imagem chamou a atenção em Wembley, no amistoso de março entre Inglaterra e Uruguai: uma t-shirt com a inscrição “Widow of Bielsa”. Faz sentido: Marcelo Bielsa regressa a uma grande competição com a missão de renovar uma equipa que já viveu dias de glória. No Mundial, o objectivo é claro: dar nova vida a uma geração que precisa de transição e estabilidade.
Bielsa: além das excentricidades
O percurso de Marcelo Bielsa mistura episódios pouco convencionais e um legado táctico reconhecido mundialmente. A sua passagem relâmpago pela Lazio, a experiência no Lille — onde aplicou métodos pouco ortodoxos — e o trabalho que o tornou uma figura maior do futebol moderno fazem parte do dossier que o acompanha.
Pedido urgente para ouvir Miguel Pinto Luz por PS e BE após socialistas falarem em caso grave
Resultados do Euromilhões

Conhecido como El Loco, Bielsa traz ao comando do Uruguai uma abordagem metódica e intensa. Para muitos observadores, este Mundial serve para que a sua reputação como treinador seja avaliada para além dos episódios excêntricos que tantas vezes pautaram a sua carreira.
O desafio da transição
O Mundial do Qatar deixou cicatrizes: a eliminação na fase de grupos e o fim de uma era liderada por nomes como Diego Godín, Luis Suárez e Edinson Cavani evidenciaram a necessidade de renovação. Hoje a equipa assenta em líderes diferentes.
Jogadores como José María Giménez, Fede Valverde, Ronald Araújo e De Arrascaeta carregam agora a missão de encontrar respostas para as dúvidas que rodeiam a equipa. Não se trata de um fluxo abundante de nova geração, mas de elementos que estiveram à sombra dos veteranos e que procuram assumir o protagonismo.
Jogadores à procura de redenção
Algumas figuras chegam ao torneio com histórias recentes que complicaram a sua trajectória. Fede Valverde viveu episódios disciplinares no Real Madrid e acabou por pagar uma multa pesada. Darwin Núñez perdeu espaço no Al Hilal após a chegada de outra referência ofensiva. Manu Ugarte voltou a ter um papel secundário no Manchester United, e Giménez teve uma época com utilização reduzida no Atlético de Madrid.

Em contrapartida, nomes como Maxi Araújo representam sangue novo com capacidade para acrescentar intensidade e galvanizar a equipa se bem utilizados.
O que se espera
A meta interna definida no dossier técnico aponta para uma progressão até aos quartos-de-final como um bom resultado. Esse objectivo traduz a ambição de combinar experiência e renovação numa competição que servirá de teste à capacidade de Bielsa para reestruturar o grupo.
Dados essenciais da selecção
- Ranking FIFA: 17.º (a 1 de abril de 2026)
- Melhor ranking: 2.º (junho de 2012)
- Patrocinador: Nike (desde 2024)
- Alcunhas: La Celeste, Los Charrúas
- Presenças em fases finais: 14
- Última participação: fase de grupos em 2022 (com Portugal, Coreia do Sul e Gana)
- Melhor resultado: campeões em 1930 e 1950
- Qualificação: 4.º lugar do grupo da CONMEBOL (28 pontos em 18 jogos com Argentina, Equador, Colômbia, Brasil, Paraguai, Bolívia, Venezuela, Peru e Chile)
Resultados recentes (desde junho de 2025)
- 31/3 — Argélia (neutro) 0-0 (E)
- 27/3 — Inglaterra (fora) 1-1 (E)
- 19/11 — EUA (fora) 1-5 (D)
- 16/11 — México (fora) 0-0 (E)
- 13/10 — Uzbequistão (neutro) 2-1 (V)
- 10/10 — Rep. Dominicana (neutro) 1-0 (V)
- 10/9 — Chile (fora) 0-0 (E) — qualificação CONMEBOL
- 5/9 — Peru (casa) 3-0 (V) — qualificação CONMEBOL
- 11/6 — Venezuela (casa) 2-0 (V) — qualificação CONMEBOL
- 6/6 — Paraguai (fora) 0-2 (D) — qualificação CONMEBOL
Formação prevista
O sistema apontado para o torneio é o 4-4-2, com uma proposta que mistura experiência e mobilidade nas linhas. Um onze apontado com base nos nomes do plantel:
- Muslera; Guillermo Varela, Mathías Olivera, Ronald Araújo, Piquérez; Nicolás de la Cruz, Manu Ugarte, Fede Valverde, Maxi Araújo; De Arrascaeta e Darwin Núñez
Convocados e estágio
Marcelo Bielsa convocou 26 jogadores para o Mundial. A lista inclui três guarda-redes, oito defesas, doze médios e três avançados, com exibições de clubes espalhadas por várias ligas do mundo.
- Guarda-redes (3): Sergio Rochet (Internacional, Brasil), Fernando Muslera (Estudiantes, Argentina) e Santiago Mele (Monterrey, México)
- Defesas (8): Guillermo Varela (Flamengo, Brasil), Ronald Araújo (Barcelona, Espanha), José María Giménez (Atl. Madrid), Santiago Bueno (Wolverhampton, Inglaterra), Sebastián Cáceres (América, México), Mathías Olivera (Nápoles, Itália), Joaquín Piquerez (Palmeiras, Brasil) e Matías Viña (River Plate, Argentina)
- Médios (12): Manuel Ugarte (Manchester United, Inglaterra), Emiliano Martínez (Palmeiras, Brasil), Rodrigo Bentancur (Tottenham, Inglaterra), Federico Valverde (Real Madrid, Espanha), Agustín Canobbio (Fluminense, Brasil), Juan Manuel Sanabria (Real Salt Lake, EUA), Giorgian De Arrascaeta (Flamengo, Brasil), Nicolás De La Cruz (Flamengo, Brasil), Rodrigo Zalazar (Sp. Braga/Sporting, Portugal), Facundo Pellistri (Panathinaikos, Grécia), Maxi Araújo (Sporting, Portugal) e Brian Rodríguez (América, México)
- Avançados (3): Rodrigo Aguirre (Tigres, México), Federico Viñas (Oviedo, Espanha) e Darwin Núñez (Al-Hilal, Arábia Saudita)
Local de estágio: Fairmont Mayakoba, Playa del Carmen, Quintana Roo (treinos no Mayakoba Training Centre).
Ligações a Portugal
Há vários nomes com ligação ao futebol português. Além de Maxi Araújo, contratado pelo Sporting em 2024, e Rodrigo Zalazar, que esteve no Sp. Braga e tem acordo com o Sporting para 2026/27, a relação passa por figuras conhecidas dos adeptos nacionais.
Darwin Núñez, ex-Benfica, é presença confirmada na lista; Manu Ugarte, formado no Sporting, está no Manchester United; e Franco Israel, que deixou o Sporting no último verão, chegou a ser chamado mas ficou fora da lista final, atrás de Muslera, Rochet e Mele.
O destaque individual
O principal nome do grupo é Fede Valverde, médio com estatuto consolidado no Real Madrid e peça-chave na estrutura uruguaia. A revelação a acompanhar é Maxi Araújo, jogador que tem vindo a afirmar-se na posição de lateral/ala.
Com Bielsa no banco, o Uruguai apresenta um misto de urgência e oportunidade: renovar sem perder identidade e tentar avançar o mais longe possível num Mundial que servirá de prova para um projecto em mutação.











