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O Iraque regressa a um Campeonato do Mundo quatro décadas depois e chega ao torneio com histórias que vão além do campo, personificadas em jogadores como Ali Al-Hamadi. A equipa, orientada por Graham Arnold, junta uma geração que assegurou um apuramento histórico e agora procura somar pontos na prova.
De Maysan a Liverpool: o percurso de Ali Al‑Hamadi
Ali Al‑Hamadi nasceu em março de 2002, em Maysan. A sua infância foi marcada pelo exílio: o pai, Ibrahim, chegou a ser detido durante um protesto antes de fugir para Inglaterra, e Ali acabou por deixar o Iraque com a mãe, vivendo um período na Jordânia antes de se reunir com o pai no Reino Unido.
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Formado no futebol inglês, Ali cresceu num bairro de Liverpool e fala inglês como nativo. Passou por clubes como o Tranmere Rovers e chega ao Mundial enquanto jogador do Ipswich Town, depois de empréstimos — entre eles uma época no Luton Town. Apesar da ligação ao futebol inglês, nunca hesitou em representar o Iraque desde as camadas jovens até ao escalão principal.
O apuramento histórico
O Iraque garantiu a presença no Mundial de 2026 pela primeira vez desde 1986. A campanha de qualificação passou por várias fases da AFC, incluindo a vitória decisiva num play‑off interconfederações frente à Bolívia (2-1) que selou o bilhete para a competição.

Ao longo do percurso os iraquianos fecharam a 2.ª fase em primeiro do grupo F, somaram pontos na 3.ª e 4.ª fases e venceram a 5.ª fase nas eliminatórias da AFC. Esse conjunto de resultados, acompanhado pelo trabalho do treinador, levou a uma receção calorosa em Bagdade após a qualificação.
Forma recente
Desde junho de 2025 a seleção apresentou resultados variados. Entre particulares e competições oficiais destacam‑se o empate 1-1 com Espanha e a vitória 1-0 sobre Andorra. Na Taça Árabe houve triunfos e derrotas: vitória sobre o Sudão (2-0), mas derrotas frente à Argélia (2-0) e à Jordânia (1-0).
No período que conduziu ao Mundial o resultado mais decisivo foi o 2-1 sobre a Bolívia, no play‑off intercontinental, num encontro disputado em terreno neutro.
Treinador e filosofia
Graham Arnold, australiano de 62 anos, assumiu o comando em maio de 2025. O percurso de Arnold inclui passagens por clubes e selecções, como Central Coast Mariners, Sydney FC, Vegalta Sendai e a própria seleção da Austrália.
Entre os títulos no seu palmarés constam campeonatos nacionais na Austrália, uma Taça da Austrália e a King’s Cup de 2025 conquistada ao leme do Iraque. A sua experiência internacional foi um fator relevante na preparação da equipa para o Mundial.
Plantel, opções e jogadores a seguir
A convocatória é composta por 26 jogadores: três guarda‑redes, dez defesas, oito médios e cinco avançados. O onze habitual apontado para o torneio segue um 4-4-2 com nomes como Fahad Talib na baliza e a dupla atacante Ali Al‑Hamadi e Aymen Hussein.
Do ponto de vista histórico, Younis Mahmoud é o jogador com mais internacionalizações e Hussein Saeed mantém‑se como o maior goleador da seleção. Entre os elementos do plantel actual há jogadores a actuar em campeonatos diversos, desde a Polónia e República Checa até aos campeonatos do Médio Oriente e da Inglaterra.
Local de estágio
A preparação para o Mundial incluiu um estágio no Greenbrier Resort, em White Sulphur Springs, nos Estados Unidos, com treinos no The Greenbrier Sports Performance Centre, em West Virginia.
A ligação a Portugal
A deslocação do Iraque até ao local do play‑off contra a Bolívia teve um episódio fora do habitual. Com o espaço aéreo do Médio Oriente fechado naquela altura, a seleção fretou um avião para completar um trajecto de cerca de 25 horas que incluiu uma escala em Lisboa. A FIFA recusou o pedido de adiamento do jogo, levando a federação a optar por essa solução logística.
Para a equipa, o objetivo prático no Mundial é claro: conquistar pontos e mostrar competitividade num grupo exigente. A seleção parte com ambição e histórias pessoais que acrescentam dimensão humana a esta participação tão esperada.












