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Aymen Hussein marcou um golo que entrou para a história do Iraque num Mundial, pondo fim a quatro décadas sem festejos na competição. O tento surge num contexto pessoal intenso: o avançado sobreviveu a perdas familiares graves antes de alcançar a seleção.
Golo histórico num Mundial
O cabeceamento de Aymen Hussein, aos 38 minutos, reduziu a diferença pouco depois do golo inaugural de Erling Haaland, mas não evitou a derrota do Iraque por 4-1 diante da Noruega. Ainda assim, o remate de Hussein acabou com a mais longa seca goleadora registada por uma seleção em fases finais do Mundial.
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O avançado disse à FIFA que agradece o golo, embora admitindo que “marcar quando se perde não sabe da mesma maneira”. Esse tento representa apenas o segundo golo do Iraque em fases finais de um Mundial.
Uma história pessoal marcada pela violência
A vida de Hussein foi marcada por tragédia desde cedo. Em 2008, com 12 anos, perdeu o pai — um soldado do Exército iraquiano —, assassinado pela al-Qaeda enquanto comprava material para construir a casa da família. Anos depois, o seu irmão mais velho foi raptado e continua desaparecido.
Perante estas perdas, o jovem Aymen chegou a ponderar abandonar o futebol para sustentar a família. A mãe recusou essa opção e incentivou-o a prosseguir a carreira.
Carreira e conquistas
A carreira do avançado começou a ganhar expressão em 2012, quando assinou pelo Dohuk por valores modestos. Em declarações à Al Jazeera, Hussein admitiu que estava “pronto para jogar de graça” apenas para partilhar o balneário com jogadores que admirava.
O seu percurso nos clubes de Bagdade e no Qatar culminou recentemente num contrato avaliado em 1 milhão de dólares com o Al-Karma, que o transformou no jogador mais caro da história do futebol iraquiano, segundo relatos. No plano internacional, assinou golos decisivos que ajudaram o Iraque a qualificar-se para os Jogos Olímpicos do Rio 2016 e de Paris 2024 e foi o melhor marcador na conquista da Taça do Golfo em 2023.
Hussein afirmou também que carrega consigo a memória da família: “Sempre desejei que o meu pai e o meu irmão estivessem vivos para ver o que conquistei”, disse o avançado.
Retenção no aeroporto e próximo desafio
No mês do Mundial, Hussein foi retido e interrogado durante cerca de sete horas pelas autoridades de imigração no Aeroporto O’Hare, em Chicago, tendo inclusivamente o telemóvel sido inspecionado, segundo o The Guardian. Posteriormente recebeu autorização para entrar no país. O fotógrafo oficial da seleção, Talal Salah, foi interrogado por mais de dez horas e acabou por não ser autorizado a entrar.
O Iraque prepara-se agora para defrontar a França a 22 de junho. O treinador Graham Arnold descreveu Hussein como um jogador difícil de marcar na área e afirmou estar orgulhoso do avançado, nas palavras citadas pela BBC. Hussein reconhece a dificuldade do confronto, mas mantém ambição: “Continuamos com o objetivo de terminar nos três primeiros lugares. Jogos como este só nos tornam mais fortes.” Com o golo marcado frente à Noruega, está a um tento de se tornar o melhor marcador do Iraque em Mundiais.












