PS diz ser prematuro PM avançar sozinho na venda total da TAP; Chega pede caderno de encargos

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O Governo escolheu a Lufthansa para adquirir até 49,9% da TAP numa operação de 1.201 milhões de euros, decisão que dividiu partidos e reacendeu o debate sobre se este é um passo para a completa reprivatização da companhia. As reações vão desde o PS, que vê a venda parcial como confirmação da sua posição, até à esquerda, que alerta para riscos e falta de garantias.

PS diz que montante confirma opção pela privatização parcial, mas alerta contra decisões precipitadas

Filipe Santos Costa, dirigente do PS, afirmou em conferência de imprensa realizada na sede do partido, em Lisboa, que o valor conseguido na venda parcial comprova que os socialistas tinham razão ao defender esse caminho. Para o PS, a operação demonstra que uma privatização parcial é viável e atraente.

Conferência de imprensa no partido com orador e microfones
Filipe Santos Costa falou na sede do PS sobre a venda parcial da TAP.

No entanto, Santos Costa advertiu que é «precipitado» o primeiro‑ministro presumir que terá maioria para avançar sozinho com uma privatização total. Recordou que o Governo é minoritário na Assembleia da República e que qualquer passo adicional terá de ser negociado com os partidos.

PSD e CDS celebram fim da «confusão» e falam em reformas estruturais

O PSD saudou a escolha da Lufthansa como um ponto de viragem para a TAP. O deputado Alexandre Poço afirmou que o tempo em que a empresa era “um brinquedo nas mãos de governos” terá acabado e destacou o potencial de recuperar parte do investimento feito pelos contribuintes.

Para Poço, o interesse de grandes grupos europeus na TAP reflete também um bom momento económico do país e garante a preservação de rotas essenciais, o respeito pelos trabalhadores e a integração da companhia num grande grupo de aviação.

O CDS‑PP, através do seu líder parlamentar Paulo Núncio, qualificou a medida como uma decisão estruturante e elogiou o processo governamental por, segundo ele, ter sido «transparente e competitivo». Núncio sublinhou ainda que a TAP manterá sede e marca em Portugal e que a associação ao maior grupo europeu de aviação abre perspetivas de capitalização e crescimento.

Chega exige o caderno de encargos; Iniciativa Liberal quer garantias sobre privatização total

O Chega pediu acesso ao caderno de encargos da operação, com o deputado Francisco Gomes a exigir que o documento inclua cinco prioridades estratégicas: ligações às comunidades portuguesas, às regiões autónomas, manutenção de Lisboa como hub, preservação de postos de trabalho e uso do português como língua operacional.

Painel de operações aeroportuárias com mapa de voos e monitores
Chega exige caderno de encargos para assegurar ligações e postos de trabalho.

A Iniciativa Liberal afirmou que o processo tem um «bom início», mas pediu garantias de que existe um caminho para a privatização total. Jorge Miguel Teixeira recordou a anterior renacionalização da TAP e os 3,2 mil milhões de euros que, segundo ele, foram então injectados pelos contribuintes, expressando receio de que o país repita o mesmo ciclo.

Esquerda e PAN veem o movimento como primeiro passo para venda completa

Partidos da esquerda — Livre, PCP, BE — e o PAN criticaram a escolha, interpretando‑a como o arranque de uma estratégia para alienar totalmente a transportadora. O porta‑voz do Livre, Jorge Pinto, acusou o Governo de optar pelo caminho mais fácil ao ceder ativos públicos e alertou para lacunas no processo.

O secretário‑geral do PCP, Paulo Raimundo, afirmou não confiar nas garantias anunciadas e apelou à mobilização dos trabalhadores e da sociedade civil. O BE considerou a notícia negativa e reafirmou que o objetivo governamental permanece a privatização integral.

A porta‑voz do PAN, Inês Sousa Real, manifestou apreensão sobre limites da reprivatização e levantou preocupações ambientais e de capacidade aeroportuária associadas à nova dinâmica de voos.

Decisão tomada em Conselho de Ministros após avaliação das propostas finais

Segundo o anúncio do Governo, a escolha da Lufthansa foi feita em Conselho de Ministros, após analisar as propostas finais melhoradas da Lufthansa e da Air France‑KLM — os dois grupos que chegaram à fase decisiva do processo.

Além do valor financeiro, que foi determinante (a oferta da Lufthansa foi superior em 163 milhões de euros face à da Air France‑KLM), foram igualmente ponderados os investimentos propostos, nomeadamente em frota, e o modelo de governação apresentado. O Governo prevê concluir a operação até início de 2028.

O que o primeiro‑ministro admitiu

Na conferência de imprensa, o primeiro‑ministro admitiu a possibilidade de uma privatização total até 2028, apontando para a hipótese de trocar parte do capital da TAP por participação social na Lufthansa, com o objetivo de recuperar o montante que os portugueses investiram na companhia.

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