PS responsabiliza Chega por futuros despejos e diz que partido se opõe às famílias no arrendamento

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O PS acusou, esta quarta-feira (14 de outubro), o partido Chega de alinhar com interesses privados ao apoiar mudanças do Governo no regime do arrendamento urbano, responsabilizando-o por eventuais despejos. A troca de argumentos na Assembleia da República expôs divisões sobre quem deve assumir a responsabilidade pela crise da habitação.

Acusações do PS no parlamento

Na intervenção em plenário, o deputado Luís Testa afirmou que as alterações propostas pelo executivo PSD/CDS-PP favorecem proprietários e fundos privados e fragilizam as famílias inquilinas. Segundo ele, as medidas em discussão — aprovadas na generalidade através de uma proposta de autorização legislativa com o voto favorável da IL e a abstenção do Chega — vão tornar mais fácil o despejo e aumentar a dependência do arrendamento da capacidade financeira das famílias.

Plenário da Assembleia da República com deputados em debate sobre habitação
Troca de acusações no parlamento sobre as mudanças ao arrendamento.

Testa advertiu que o Chega será responsabilizado pelos “centenas e milhares” de portugueses que vierem a ser despejados e acusou os deputados de protegerem “interesses privados” em vez do interesse público.

Resposta do Chega e dados invocados

A deputada Vanessa Barata, pelo Chega, rejeitou as acusações e afirmou que o partido está do lado das famílias. Barata atribuiu ao PS responsabilidade por uma alegada crise habitacional nas políticas que aplicou enquanto governou.

Gráfico de subida de preços de habitação citado pelo Chega
Comparação de preços usada pelo Chega para ilustrar a subida dos valores.

Para ilustrar a subida dos preços, Barata citou uma comparação de valores: uma casa de 80 m² que, segundo o seu relato, valia 67 mil euros em 2016, passou para 92 mil euros em 2020 e atingiu 166 mil euros em 2025 — um aumento global que, nas suas contas, corresponde a 147%.

Críticas cruzadas e posicionamentos dos restantes partidos

Partidos à direita — PSD, CDS-PP e IL — criticaram o PS por alegada perseguição aos proprietários durante o seu mandato e sustentaram que medidas coercivas no arrendamento afastam oferta privada do mercado.

O PSD defendeu que a solução passa por aumentar a oferta, pública e privada, em vez de impor restrições aos senhorios. CDS-PP e IL acusaram o PS de ter atacado o alojamento local e de pressionar proprietários durante a sua governação.

Do outro lado do espectro, os partidos de esquerda manifestaram reservas em relação à proposta do Governo. O PCP, além de contestar as medidas, apontou também críticas ao PS, responsabilizando-o por práticas que teriam alimentado a especulação e desprotegido inquilinos quando esteve no poder.

Debate sobre prioridades e propostas fiscais

Luís Testa afirmou ainda que o Governo se coloca do lado dos titulares de imóveis, chegando a qualificar o executivo como um “agente imobiliário invertido”. Também sublinhou que o conceito de alojamento local não deve ser confundido com habitação.

Em resposta, o líder parlamentar do CDS-PP desafiou o PS a, no debate do orçamento, propor a revogação da isenção de IMT e do imposto de selo na compra de casa por jovens — medidas que o CDS disse que o PS critica, mas que aplicou enquanto esteve no Governo.

O que está em jogo

O confronto na Assembleia sobre o arrendamento urbano reflete uma tensão maior: preservar direitos dos inquilinos versus incentivar a oferta privada de alojamento. As posições tomadas agora poderão ter implicações nas negociações orçamentais e nas futuras leis que definam como se regula o mercado de arrendamento em Portugal.

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