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Uma ação policial na madrugada de quinta-feira que confrontou a PSP com participantes da Acampada do Porto volta a dividir críticas: o presidente da Câmara, Pedro Duarte, condenou a violência nas imagens divulgadas, mas afirmou que a polícia teve de intervir. Os protestos nasceram em torno da crise da habitação e os organizadores garantem que a mobilização continua.
O posicionamento do presidente da Câmara
Em conferência de imprensa nos Paços do Concelho, Pedro Duarte afirmou confiar nas autoridades e disse que, perante os factos, a polícia “se viu forçada” a agir. O autarca lamentou as cenas captadas durante a operação e admitiu que as imagens não são confortáveis para ninguém.
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Ao mesmo tempo, Duarte realçou uma divisão no seio dos presentes: “Havia alguém ali naquela manifestação que estava a zelar pelo cumprimento da lei; e havia quem estivesse, de forma declarada, ostensiva, a incumprir a lei, a cometer ilegalidades”, declarou, apontando que um pequeno grupo terá adoptado uma atitude provocatória.
Ligação entre declarações anteriores e a operação
Na tarde de quarta-feira, o presidente da Câmara dissera que seria “implacável” quanto à colocação de tendas na Praça D. João I e rejeitou que essas palavras tenham influenciado a decisão policial. Segundo Duarte, a intervenção da PSP teve como base o dever de garantir a ordem pública e não “afirmações” ou convicções políticas pessoais.
O protesto e as versões sobre a intervenção
A operação ocorreu após vários dias de acampamento na Praça D. João I, uma iniciativa da Acampada do Porto que reclama medidas contra a pressão sobre o mercado habitacional, inspirada por protestos semelhantes em Espanha.

O movimento publicou relatos de dezenas de feridos, entre os quais dois em estado considerado grave. Em contrapartida, a PSP afirmou num comunicado que os manifestantes não cumpriram pedidos para retirar as tendas e que alguns resistiram à actuação policial — versão que os organizadores contestam.
Direito à manifestação e resposta municipal
Duarte reconheceu a legitimidade das reivindicações relacionadas com a habitação, mas sublinhou que o direito de protestar deve respeitar os limites legais. “O Porto orgulha‑se de ser a cidade da liberdade”, afirmou, defendendo simultaneamente a obrigação de proteger a lei como forma de preservar a democracia.
O presidente destacou ainda que o município tem dado respostas públicas ao problema habitacional. Segundo o autarca, cerca de 13% da população do Porto vive em habitação social e o concelho tem vindo a desenvolver programas destinados também à classe média. Ainda assim, admitiu que há trabalho por fazer.
Quanto ao futuro imediato, Pedro Duarte disse que a autarquia não intervirá se a Acampada mantiver a actividade dentro do quadro legal, deixando claro que a prioridade é conciliar a liberdade de expressão com o cumprimento da lei.












