Arábia Saudita no grupo H: quatro treinadores em quatro anos — e o efeito Ronaldo?

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A Arábia Saudita chega ao Mundial de 2026 com um misto de expectativa e dúvidas: a Liga do país ganhou perfil internacional após a chegada de Cristiano Ronaldo, mas a seleção não teve um salto equivalente de rendimento e chega ao torneio marcada por instabilidade técnica. O novo selecionador, Georgios Donis, tem poucas semanas para preparar uma equipa que enfrentará Espanha, Uruguai e Cabo Verde num grupo exigente.

O efeito Ronaldo e o balanço do investimento

A contratação de Cristiano Ronaldo pelo Al Nassr alterou a perceção global sobre o campeonato saudita. Jogadores de topo vieram, o investimento aumentou e a competição doméstica ganhou visibilidade mediática.

Exterior de estádio e camisas de futebol sem rostos, simbolizando impacto de Ronaldo
A chegada de Ronaldo aumentou a visibilidade do campeonato saudita, mas nem sempre elevou a seleção.

No entanto, essa dinâmica não se traduziu automaticamente num aumento da qualidade média dos jogadores locais. Muitos talentos nacionais continuam a atuar sobretudo onde há vaga para jogadores locais — e há apenas um nome com presença regular na Europa, Saud Abdulhamid, no Lens.

Instabilidade no comando técnico

A federação teve dificuldade em manter continuidade. Desde setembro de 2019 passaram vários treinadores pelo cargo: Hervé Renard saiu pouco depois do Mundial de 2022; Saad Al‑Shehri ocupou a função por cerca de oito meses; seguiu-se Roberto Mancini, que deixou o posto um ano depois — a saída envolveu uma indemnização de 30 milhões de euros — e Renard regressou.

Quadro tático e vários treinadores anónimos discutindo estratégias
A sucessão de treinadores deixou pouca continuidade tática na seleção.

Renard voltou a garantir a qualificação mas acabou por sair novamente pouco mais de dois meses antes do início do Campeonato do Mundo. O seu lugar foi assumido por Georgios Donis, anunciado em abril de 2026.

O desafio desportivo

Do ponto de vista competitivo, a seleção saudita mantém o potencial para causar surpresas — recorde-se a vitória sobre a Argentina em 2022 —, mas a consistência tem faltado. O objetivo prático é claro: passar a fase de grupos e tentar alcançar os 16 avos de final, um cenário que exige correções táticas e maior rendimento coletivo.

Donis tem um período curto de preparação — cerca de três semanas antes do arranque do Mundial — para consolidar ideias, corrigir lacunas e tirar partido do que já funciona na equipa.

Convocatória e onze provável

  • Guarda‑redes: Mohammed Al‑Owais, Nawaf Al‑Aqidi, Ahmed Al‑Kassar
  • Defesas: Saud Abdulhamid, Hassan Al‑Tambakti, Abdulelah Al‑Amri, Nawaf Boushal, Ali Lajami, Ali Majrashi, Hassan Kadesh, Moteb Al‑Harbi, Jehad Thakri, Mohammed Abu Al‑Shamat
  • Médios: Salem Al‑Dawsari, Mohamed Kanno, Nasser Al‑Dawsari, Abdullah Al‑Khaibari, Musab Al‑Juwayr, Ayman Yahya, Ziyad Al‑Johani, Sultan Mandash, Alaa Al‑Hejji
  • Avançados: Firas Al‑Buraikan, Saleh Al‑Shehri, Abdullah Al‑Hamdan, Khalid Al‑Ghannam

Formação habitual (4‑3‑3): Nawaf Al‑Aqidi; Saud Abdulhamid, Hassan Al‑Tambakti, Ali Lajami, Hassan Kadesh; Abdullah Al‑Khaibari, Mohamed Kanno, Nasser Al‑Dawsari; Ayman Yahya, Salem Al‑Dawsari e Firas Al‑Buraikan.

Treinador e preparação

Georgios Donis, de 56 anos, assumiu a seleção em abril de 2026. No currículo constam clubes em Grécia, Chipre, Israel e Arábia Saudita, entre outros, e um palmarés com títulos nacionais e taças. O técnico conhece o futebol saudita e terá de acelerar a integração de conceitos defensivos e ofensivos num curto período de trabalho.

O estágio decorre em Austin, Texas — alojamento no Four Seasons e treinos no Austin FC Stadium —, preparando a equipa para o arranque do Mundial.

Performance recente

Os resultados desde junho de 2025 mostram uma equipa irregular. Entre particulares, competições regionais e partidas oficiais, surgiram algumas vitórias, empates e derrotas que refletem dificuldades em transformar o potencial individual em rendimento coletivo.

  • 31/5: Equador (fora) 2-1 (derrota)
  • 31/3: Sérvia (fora) 2-1 (derrota)
  • 27/3: Egito (fora) 4-0 (derrota)
  • Vários jogos na Taça Árabe e na Gold Cup com resultados mistos
  • Qualificação AFC: vitória frente à Indonésia (3-2), empate com Iraque (0-0) e derrota com Austrália (1-2)

Quem são as referências

Salem Al‑Dawsari, extremo do Al Hilal, continua a ser a grande referência ofensiva, já com carreira internacional sólida. A jovem revelação do grupo é Musab Al‑Juwayr, médio de 22 anos que tem vindo a ganhar destaque nos clubes nacionais.

No plano histórico, Mohamed Al‑Deayea é o jogador com mais internacionalizações e Majed Abdullah o maior goleador da história da seleção — referências que recordam os melhores momentos do futebol saudita.

Ficha rápida

  • Ranking FIFA (1/4/2026): 61.º
  • Melhor ranking FIFA: 21.º (julho de 2004)
  • Patrocinador: Adidas (desde 2023)
  • Alcunha: Falcões Verdes
  • Presenças em fases finais: 6 (última em 2022, fase de grupos)
  • Melhor resultado: oitavos de final em 1994

Conclusão

A Arábia Saudita apresenta um projeto nacional que cresceu em exposição e investimentos, mas cuja seleção ainda não atingiu a consistência necessária para dar um passo sustentável de qualidade. O trabalho de Donis nas semanas que antecedem o Mundial será determinante para perceber se a equipa consegue transformar potencial e visibilidade em resultados práticos no torneio.

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