Marrocos candidata-se a uma vaga temporária no Conselho de Segurança

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Marrocos anunciou a sua candidatura a um assento não permanente no **Conselho de Segurança** da ONU para 2028-2029, apresentando o pedido como resultado da sua ação diplomática em áreas-chave do sistema internacional. O anúncio foi feito pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Nasser Bourita, na Assembleia-Geral das Nações Unidas, num momento de tensões regionais e controvérsias internas.

Candidatura e prioridades declaradas

Bourita afirmou que a candidatura traduz o compromisso de Rabat com a manutenção da paz e com o respeito pelas normas do **direito internacional**, incluindo a soberania e a integridade territorial dos Estados. Segundo o ministro, o objetivo é reforçar três pilares: segurança, desenvolvimento sustentável e o Estado de direito.

Marrocos já teve três mandatos no órgão — 1963-1964, 1992-1993 e 2012-2013 — e apresenta agora a nova tentativa num contexto que, segundo o país, pede maior intervenção diplomática e multilateral.

A tensão com Espanha e o pano de fundo migratório

A apresentação da candidatura ocorre após um episódio de forte tensão com Madrid: a entrada massiva de migrantes na cidade espanhola de **Ceuta**, entre 30 e 31 de julho, que organizações da sociedade civil afirmam ter causado pelo menos 141 mortes.

Balsa com migrantes desembarcando numa cidade costeira
Chegada massiva de migrantes que agravou a crise entre Marrocos e Espanha.

O incidente aprofundou uma crise migratória entre os dois países e contribuiu para um clima político delicado, que Rabat procura gerir enquanto amplia a sua ação internacional.

Ameaça dos grupos armados não estatais

No seu discurso, Bourita sublinhou a necessidade de uma resposta global ao crescimento da influência de grupos armados não estatais. Alertou para os riscos que esses atores representam à segurança e à estabilidade, incluindo impactos em rotas marítimas e estreitos estratégicos que podem afetar a navegação internacional.

O chefe da diplomacia marroquina pediu que Estados que patrocinem, financiem, armem ou ofereçam refúgio a esses grupos assumam responsabilidades — não só políticas, mas também jurídicas e de outro tipo.

Saara Ocidental e relações com a Argélia

Bourita voltou a defender o plano de **autonomia** marroquino para o **Saara Ocidental**, afirmando que a situação viveu uma “viragem histórica” após a adoção da **Resolução 2797** do Conselho de Segurança, em outubro passado. Ele apresentou esse avanço como um argumento a favor do papel de Marrocos no tabuleiro diplomático global.

Paisagem do Saara com cerca fronteiriça distante
Saara Ocidental e o plano de autonomia marroquino no centro do debate regional.

O país mantém uma relação tensa com a **Argélia**, que apoia a Frente Polisário, e acompanha com preocupação a instabilidade em países do Sahel, onde juntas militares e confrontos com grupos jihadistas aumentam riscos regionais.

Palestina e o reaproximar com Israel

A questão palestiniana foi destacada como uma prioridade permanente na política externa de Rabat. Bourita defendeu uma solução de dois Estados, baseada nas fronteiras anteriores a 4 de junho de 1967, com Jerusalém Oriental como capital do futuro Estado palestiniano.

O ministro também apelou ao respeito pelo cessar-fogo na Faixa de Gaza e à remoção de barreiras ao envio de ajuda humanitária e outros recursos essenciais.

As declarações surgem após um acordo recente, assinado em Nova Iorque com o apoio de Washington, para elevar a relação diplomática entre Marrocos e Israel e avançar para a abertura de embaixadas. A iniciativa, que dá seguimento à normalização anunciada em 2020 — mediada pelos EUA — suscitou críticas de organizações da sociedade civil e de grupos de esquerda em Marrocos.

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