Autoridades em Ceuta identificam 2.500 menores após chegada massiva

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O Ministério do Interior espanhol já identificou 2.500 menores em Ceuta desde a grande vaga migratória registada a 30 de julho, mas ainda não existe um recenseamento final dos migrantes que permanecem na cidade autónoma. A ministra Elma Saiz vincou a complexidade do processo de registo enquanto Madrid prepara medidas para acolhimento e deslocações de menores.

Prioridade ao registo de menores

Em entrevista ao El País, Saiz explicou que o governo deu prioridade à identificação das crianças e adolescentes não acompanhados. “Já o fez para 2.500”, disse a ministra, referindo-se aos cadastros concluídos até agora.

Documentos e registos administrativos sobre uma secretária de processamento
O processo de identificação individual de cada menor envolve múltiplas fases administrativas.

Segundo Saiz, o trabalho não é automático: cada pessoa tem de ser identificada e ter um dossier individual. Isso implica averiguar a história de vida de cada menor antes de decidir o seu estatuto e destino.

Por que a contagem demora

Três semanas após a chegada massiva de migrantes, não há ainda um número definitivo de pessoas que continuam em Ceuta. A ministra apontou que o processo demora porque envolve múltiplas fases administrativas e avaliações individuais.

Saiz também rejeitou a ideia de que as autoridades tenham aguardado intencionalmente na esperança de um retorno espontâneo à origem, como ocorreu com muitos no primeiro dia da chegada.

Transferências e apoio financeiro

O governo central convocou as comunidades autónomas para uma conferência sectorial na próxima semana. O objetivo é articular a transferência de menores não acompanhados que chegaram a zonas de tensão, como Ceuta, para mecanismos de acolhimento que lhes garantam melhores cuidados.

Reunião de conferência sectorial entre autoridades governamentais
Madrid convocou comunidades autónomas para articular transferências de menores.

Além disso, Madrid vai transferir 25 milhões de euros para a cidade autónoma destinados ao apoio e proteção dessas crianças e adolescentes.

Plano para raparigas e questões de tutela

O executivo trabalha também num plano que prevê trazer até o continente 500 raparigas migrantes vindas da cidade autónoma, sem que seja necessário transferir a tutela para as comunidades autónomas.

Tensão política sobre repatriação

O líder do Partido Popular, Alberto Núñez Feijóo, defendeu o regresso a Marrocos de todos os migrantes que entraram no país, incluindo menores. A resposta da ministra foi direta: Saiz advertiu que esta proposta implicaria violar a lei no caso de crianças e colocaria em causa o respeito pelo Estado de Direito.

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