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A presença da seleção iraniana em Los Angeles transformou um encontro desportivo num palco de tensões políticas e jurídicos. Entre manifestações na rua, um processo sobre uma bandeira e assobios durante o hino, o evento acabou por ficar marcado tanto fora quanto dentro do SoFi Stadium — e terminou num empate no relvado.
Chegada à cidade e conferência de imprensa tensa
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A chegada da comitiva iraniana à área de Los Angeles chamou atenção imediata. A cidade alberga cerca de 600 mil iranianos americanos, sobretudo concentrados em torno da Westwood Boulevard, numa comunidade frequentemente chamada de Tehrangeles.
O plantel aterrou no domingo, 14 de junho — data que coincidiu, segundo relatos, com a assinatura de um acordo de paz entre Estados Unidos e Irão após meses de conflito armado. A FIFA pediu aos jornalistas que as questões na conferência pré-jogo se limitassem ao campo; o treinador Amir Ghalenoei acatou esse pedido. Ainda assim, nenhuma das perguntas feitas se manteve estritamente no domínio desportivo.
Declarações dos jogadores
O capitão Mehdi Taremi falou sobre o impacto das tensões políticas no ambiente em torno da equipa. Citado pela Al Jazeera, afirmou que a atual situação tinha minado a alegria que normalmente rodeia o futebol e sublinhou que a seleção representa iranianos dentro e fora do país. No fim da conferência, Taremi reforçou o respeito pela Nova Zelândia e desejou um bom jogo.
Sobre a ausência de Sardar Azmoun, Ghalenoei manteve uma resposta direta: reconheceu a importância do jogador para a equipa, mas disse que, naquele momento, tratava-se de uma questão do próprio futebol.
Protestos, bandeira e disputa judicial
Na manhã da partida, perto das 11h, manifestantes da diáspora começaram a concentrar-se junto ao estádio. Mais de 200 pessoas exibiam cartazes e entoavam cânticos pedindo mudanças no regime. Muitos carregavam a bandeira pré-revolucionária com o leão e o sol, símbolo proibido pela FIFA dentro das arenas.

Ativistas como Arash Razi, citado pela ABC7, distinguiram entre a seleção e o governo, afirmando que o protesto se dirigia à República Islâmica e à sua influência sobre a federação. A questão da bandeira seguiu para os tribunais: uma organização californiana, o Institute for Voices of Liberty, impetrou uma ação no Tribunal Superior de Los Angeles alegando violação da liberdade de expressão pelas restrições da FIFA.
Horas antes do pontapé de saída, o juiz manteve a proibição da FIFA. Apesar disso, dentro do SoFi Stadium vários adeptos exibiram a bandeira em camisolas e estandartes ao longo do jogo.
No estádio: hino e apoio em campo
Quando o hino iraniano foi interpretado, houve uma divisão visível entre os presentes. Uma parte considerável do público assobiou e virou as costas ao relvado; outros permaneceram em silêncio ou apoiaram a seleção. Muitos espectadores associaram o hino à República Islâmica, não apenas aos jogadores em campo.

Logo após o início da partida, porém, a maioria passou a acompanhar a equipa dentro do jogo, demonstrando apoio aos atletas durante o decorrer dos 90 minutos.
O jogo
Em termos estritamente desportivos, o Irão e a Nova Zelândia empataram por 2-2. A Nova Zelândia adiantar-se-ia com dois golos de Elijah Just, aos 7 e aos 55 minutos. O Irão respondeu com Ramin Rezaeian, aos 32 minutos, e Mohammad Mohebi, aos 64, garantindo a igualdade final.
O encontro ficou, assim, marcado tanto pela incerteza fora do relvado como pela competitividade dentro dele, sublinhando como eventos desportivos internacionais podem cruzar-se com questões políticas, legais e de identidade comunitária.











