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Depois do empate 2-2 com a Nova Zelândia em Los Angeles, a seleção iraniana viveu uma noite de forte tensão: jogadores e equipa técnica queixaram‑se de restrições e de uma saída precipitada dos EUA rumo ao centro de treinos no México, enquanto o presidente da FIFA foi pessoalmente ao balneário tentar acalmar os ânimos.
Saída inesperada e impacto no planeamento
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A comitiva iraniana foi obrigada pelas autoridades norte‑americanas a deixar o país imediatamente após o jogo, alterando um plano que previa pernoitar em Los Angeles e treinar no dia seguinte antes de seguir para o México. A mudança gerou protestos internos sobre os efeitos na recuperação física e na preparação para os próximos encontros.

O capitão Mehdi Taremi descreveu a situação como exaustiva e disse que a equipa está “simplesmente cansada desta situação”, segundo o The Telegraph. Taremi alertou que a saída antecipada prejudica a recuperação e desfaz a programação preparada pela equipa técnica.
Também Mohammad Mohebi, autor do segundo golo iraniano, criticou a logística: disse que a seleção deveria ter chegado ao local com mais antecedência e relatou uma viagem apressada que incluiu treino no mesmo dia da chegada, o que aumentou o cansaço do grupo.
A intervenção de Gianni Infantino
A situação levou o presidente da FIFA, Gianni Infantino, a deslocar‑se ao balneário iraniano após o apito final. De acordo com o The Guardian, Infantino procurou assumir um papel de mediador, reconheceu o desgaste do grupo e tentou tranquilizar os jogadores.
Imagens difundidas nas redes sociais mostram o dirigente a sublinhar que compreende o que a equipa está a viver e a louvar a mensagem desportiva enviada no relvado. Numa tentativa de aliviar o ambiente, Infantino até fez uma brincadeira oferecendo‑se para jogar no ataque, caso o treinador precisasse.
Acusações de discriminação da equipa técnica
O selecionador Amir Ghalenoei manifestou indignação e afirmou que a sua equipa tem sido tratada com um grau de restrição que, segundo ele, não se verifica em nenhuma das outras 47 seleções presentes no Mundial. Ghalenoei lamentou a ausência de membros da federação no local, a falta de acesso dos media e a impossibilidade de contar com parte da equipa de gestão que habitualmente auxilia nas substituições.
Protestos, símbolos e ambiente no estádio
O encontro foi acompanhado por 70.108 espectadores no estádio. Para lá das bancadas, realizaram‑se manifestações organizadas contra o regime de Teerão. No interior, adeptos desafiaram a proibição da FIFA ao exibirem a bandeira pré‑revolucionária do “Leão e Sol” e houve relatos de vaias ao hino nacional.

Segundo o El Español, também foi mostrada a referência ao número 168, numa homenagem às vítimas de um ataque em Minab a 28 de fevereiro — a seleção tinha já usado um pin com esse número à chegada a Tijuana no início do torneio. Durante o jogo, contudo, o apoio aos jogadores sobrepôs‑se à contestação política sempre que a bola estava em jogo, com celebrações pelos golos de Ramin Rezaeian e de Mohebi.
O festejo de Mohebi suscitou polémica nas redes sociais, onde alguns utilizadores o acusaram de um gesto em direção à bancada norte‑americana; a acusação circula como reação online e não foi apresentada como conclusão oficial.
Problemas logísticos no aeroporto
Após a ordem de saída dos EUA, a comitiva enfrentou complicações no Aeroporto de Los Angeles. Enquanto a maioria da equipa já estava embarcada, Taremi e o dirigente Saeed Al‑Hawie permaneceram para concluir formalidades de saída, atrasando o voo com destino a Tijuana, conforme noticiou a Marca.
Contexto político e recordações do passado
A estreia do Irão no Mundial coincidiu com o anúncio de um acordo de paz entre os Estados Unidos e Teerão, anunciado com o objetivo de pôr fim ao conflito que teve início no final de fevereiro. Observadores notaram o contraste entre o ambiente tenso vivido pela comitiva iraniana e as imagens de respeito mútuo que marcaram edições recentes do torneio.
Em 2022, no Qatar, o gesto de consolação de Antonee Robinson a Ramin Rezaeian após a eliminação iraniana tornou‑se um símbolo de fair play, recordou o The Independent. O analista Karim Sadjadpour acrescentou numa publicação no X que, apesar das tensões políticas, muitos visitantes norte‑americanos descrevem o Irão como um país acolhedor — uma nuance que volta a emergir nas narrativas em torno deste mundial.












