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O Museu Calouste Gulbenkian reabre ao público com entrada gratuita por um período limitado e uma programação especial para marcar os 70 anos da Fundação. A retomada do espaço, após um ano e meio de obras, é assinalada por um concerto do Coro e da Orquestra Gulbenkian e por uma série de iniciativas que se estendem até dezembro.
Reabertura e intervenções no espaço
O museu voltou a abrir portas com intervenções técnicas e curatoriais destinadas a modernizar as galerias sem perder o espírito do projecto original de 1969. As obras incluíram a instalação de novas vitrines, melhoria da iluminação, otimização da climatização e restauro extenso de peças da coleção.
O objetivo, segundo a direção, foi assegurar melhores condições técnicas para a exposição dos objetos e ampliar áreas de apresentação. Entre as novidades está uma sala dedicada à numismática antiga.
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Diversos artefatos que estavam em reserva regressam agora às salas: estampas japonesas, caixas de ouro, medalhas, esculturas e até um para-sol veneziano. As lâmpadas de mesquita passam a ser exibidas individualmente, em vitrines restauradas com vidro antirreflexo, depois de décadas apresentadas em conjunto.
A Sala Lalique, porém, recebeu um tratamento distinto. Em vez de reproduzir integralmente o desenho de 1969, o espaço foi pensado para estabelecer um diálogo entre as peças de Lalique e pinturas de Edward Burne-Jones e John Singer Sargent, explicou o diretor do museu, Xavier Francesco Salomon.
Primeiro dia de celebrações
Neste sábado, as comemorações começam às 10:00 com as palavras de boas-vindas de António Feijó, presidente do Conselho de Administração da Fundação, e de Xavier F. Salomon. Haverá visitas guiadas mediadas e oficinas de gravura, com participação livre mediante inscrição.
Também está marcado um concerto do Coro e da Orquestra Gulbenkian sob a direção de Carlo Rizzi, com a participação da soprano Sonya Yoncheva. O programa foi concebido para percorrer momentos-chave do repertório operático europeu, com obras de Bizet, Puccini, Mascagni, Dvořák, Massenet, Gounod e Verdi.
Programação cultural até dezembro
A celebração dos 70 anos inclui uma agenda variada: música, cinema, conferências, encontros, o lançamento de um estudo e a apresentação de uma plataforma digital de acesso livre que reúne quatro décadas e meia de apoios. As iniciativas prometem cruzar memória e projeção para o futuro.
Além do concerto de abertura, a Fundação encomendou novas obras a compositores que vão estrear-se na próxima Temporada de Música. Entre elas destacam-se composições de Carlos Caires e Andreia Pinto Correia, que entram no programa de outubro junto de peças de Luís Tinoco e de Joly Braga Santos.
Ciclo de cinema e exposição de cartazes
Em setembro arranca o ciclo de cinema intitulado “Don’t Look Back”, que explora as relações entre música, cultura e sociedade. O programa reúne documentários e filmes emblemáticos, como A Hard Day’s Night, Don’t Look Back, The Last Waltz, Stop Making Sense, Summer of Soul e Purple Rain.
Cada sessão será comentada por autores e críticos convidados, entre os quais Pedro Mexia, Isilda Sanches, Rui Miguel Abreu e Nuno Galopim.
Desde quinta-feira está aberta ao público a exposição “Gulbenkian, 70 anos em cartaz”, com 70 cartazes e outros materiais gráficos relacionados com a atividade da Fundação nas áreas da educação, arte e ciência. A mostra reúne trabalhos de vários criadores, incluindo Marcelino Vespeira, Sebastião Rodrigues e Kiko Farkas, e pode ser vista até 19 de outubro.
Iniciativas académicas e encerramento das comemorações
Em novembro, o recém-criado Instituto Gulbenkian de Estudos Avançados promove a sua aula inaugural. A conferência de abertura ficará a cargo do historiador David Nirenberg, diretor do Institute for Advanced Study, de Princeton. No dia seguinte, Nirenberg participa numa conversa pública sobre o papel das humanidades hoje.
Também em novembro a revista Colóquio realiza, pela primeira vez, um encontro dedicado à crítica de arte. O programa será divulgado nos próximos meses.
As celebrações terminam com concertos da Orquestra Gulbenkian a 10 e 11 de dezembro, quando será estreada a obra do compositor neerlandês Hawar Tawfiq, intitulada “O Que Fica”.












