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Marta Rosa, fadista portuguesa, sobe esta semana ao palco do festival eletrónico Tomorrowland em Boom, na Bélgica. A artista integra a Sinfonia da Unidade e participa nos espetáculos finais diários — uma oportunidade pouco habitual para um cantor de fado e que, segundo ela, ganha significado por cantar em português num evento desta escala.
Convite improvável e preparação à distância
O convite partiu do produtor do Tomorrowland, que descobriu Marta Rosa online e contactou-a para integrar a produção. “Pesquisou e disse-me que tinha encontrado o que procurava, o que me deixou muito feliz”, disse a fadista à Lusa.
A colaboração começou sem encontros presenciais: a cantora, a partir de Lisboa, enviou gravações feitas no telemóvel e, mais tarde, uma demo gravada em estúdio para avaliação da organização. “Ele mandava umas músicas e ia ouvindo, de uma forma meio informal, como estava a soar”, explicou.
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Esta semana decorreram os primeiros ensaios presenciais na Bélgica, antes da estreia com a orquestra.
No palco maior
Para Marta Rosa, a experiência é também pessoal. “Estar num dos maiores palcos do mundo é mais do que eu podia ter sonhado”, afirmou, descrevendo o cenário como o “palco mais bonito onde já estive e o maior e mais elaborado”.
Além de integrar a Sinfonia da Unidade — a orquestra sinfónica que adapta hinos da música eletrónica a arranjos clássicos — a fadista participa nos espetáculos que encerram cada dia do festival. “Trazer a minha música e cantar em português num festival destes é muito especial”, confessou.
Ela partilha a cena com músicos, bailarinos e uma equipa técnica ampla. Apesar da emoção, reconhece a responsabilidade: “É uma responsabilidade que carrego com muito entusiasmo, mas com algum nervosismo porque sei que está muita gente a ver e a ouvir”.
Do fado às multidões
Marta Rosa construiu a carreira sobretudo em casas de fado e em concertos dentro de Portugal, onde também acompanha outros fadistas à viola. A participação no Tomorrowland surge, por isso, como um desvio notável no percurso habitual.
“Eu nem tinha expectativa de estar aqui e aconteceu. Agora é aproveitar”, disse a cantora, que também valoriza o ambiente coletivo do festival: “É viver esta união humana que se faz sentir aqui muito intensamente”.
O contexto do festival
O Tomorrowland realiza-se em Boom entre 17 e 19 e 24 e 26 de julho. Ao longo dos dois fins de semana, o evento reúne cerca de 400 mil pessoas de várias nacionalidades e apresenta mais de 850 artistas espalhados por 16 palcos.
Esta edição destaca-se, segundo a fadista, por um aumento na presença de DJ portugueses e de festivaleiros nacionais, facto que torna a participação portuguesa ainda mais visível dentro da programação.












