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A Guarda Revolucionária do Irão anunciou ter interceptado quatro embarcações que tentavam cruzar o estreito de Ormuz sem autorização de Teerão, numa ação que agrava ainda mais as tensões com os Estados Unidos. Segundo o comunicado, dois dos navios ficaram imobilizados após acidentes e os outros dois abortaram a travessia.
O relato das autoridades iranianas
Em comunicado difundido pela radiotelevisão estatal IRIB, a Guarda Revolucionária afirmou que as embarcações seguiram uma rota não autorizada e ignoraram avisos das forças navais iranianas.
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O texto acusa as tripulações de terem desligado os sistemas de navegação “em conivência com os terroristas dos Estados Unidos”, numa tentativa de contornar os controlos de Teerão. Não foram fornecidos detalhes técnicos sobre os acidentes que teriam deixado dois cargueiros imobilizados.
A mensagem emitida pelas autoridades contém uma advertência direta: “Nem uma única gota de petróleo, gás ou fertilizante químico atravessará o estreito de Ormuz sem coordenação e autorização”. O comunicado acrescenta que navios que sigam recomendações dos Estados Unidos e entrem em rotas consideradas inseguras “sofrerão (…) incidentes”.
Escalada regional e diplomática
O incidente surge no contexto de uma escalada militar entre Teerão e Washington. Segundo a versão iraniana, os acontecimentos fazem parte de uma sequência de confrontos que incluiram ataques norte-americanos no sul do Irão e ações de retaliação iranianas contra alvos norte-americanos em vários países do Médio Oriente.
Teerão insiste no controlo da passagem marítima e exige que navios transitem por rotas aprovadas pelas suas autoridades. Essa posição, porém, tem sido recusada pelos Estados Unidos e por outros Estados da região, que não aceitam o monopólio iraniano sobre o tráfego no estreito.
Rotas alternativas e respostas militares
No início de julho, Omã abriu uma segunda rota com apoio dos Estados Unidos, uma medida que, segundo o texto iraniano, levou Teerão a atacar navios comerciais que tentaram usar essa via alternativa.
Além disso, o relato menciona que Washington restabeleceu, numa terça-feira recente, um bloqueio naval sobre navios e portos iranianos no estreito de Ormuz. Essa ação aconteceu dois dias depois de Teerão ter anunciado um novo encerramento do estreito — uma via que, antes da guerra, chegava a transportar cerca de 20% do petróleo mundial.
O que está em jogo
O diferendo coloca em risco rotas essenciais para o comércio global de energia e aumenta a probabilidade de confrontos navais ou incidentes com embarcações comerciais. Para além do impacto económico, a disputa reforça a volatilidade política no Golfo e complica esforços diplomáticos na região.
Até ao momento, não foram divulgadas independentes confirmações externas sobre os acidentes relatados pela Guarda Revolucionária. Autoridades internacionais ainda não publicaram posicionamentos públicos detalhando investigações ou verificações sobre o episódio.












