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Yoane Wissa transformou uma história pessoal dramática num momento histórico: aos 50 minutos, cabeceou para o empate (1-1) frente a Portugal e assinou o primeiro golo da República Democrática do Congo numa fase final do Mundial em mais de cinco décadas. O tento ganha ainda mais significado depois do ataque com ácido que quase lhe tirou a visão e deixou sequelas físicas e psicológicas.
O ataque e a recuperação
Em 1 de julho de 2021, uma mulher que alegadamente tentou raptar a filha de Wissa atirou-lhe ácido à cara. O avançado teve os olhos gravemente atingidos e precisou de operações de emergência.
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Segundo o próprio, os médicos alertaram para queimaduras oculares e recomendaram lavagens frequentes e tratamento contínuo com colírios. A visão demorou cerca de seis meses a recuperar de forma satisfatória.
Além das consequências físicas, o jogador passou a conviver com ansiedade persistente. Relatou reações como pânico perante ruídos, menos expressão afetiva, a necessidade de olhar para trás enquanto caminha e dificuldades em dormir sozinho. Tanto ele como a companheira chegaram a recorrer a acompanhamento psicológico.
Decisões pessoais e justiça
Wissa recusou uma cirurgia estética para alterar as marcas do ataque, afirmando que elas fazem parte da sua história. Em 2025, a mulher responsável pelo ataque foi condenada a 18 anos de prisão.
Retorno ao campo e carreira na Europa
O apoio de clubes e treinadores foi importante durante a recuperação. O então treinador do FC Lorient, Christophe Pélissier, visitou-o no dia seguinte ao ataque e destacou, em declarações à BBC, a determinação e a força de vontade do jogador.
Ainda em fase de recuperação, Wissa assinou um contrato de quatro anos com o Brentford. De acordo com a NDTV Sports, alinhou em 149 partidas pelo clube ao longo de quatro temporadas e marcou 49 golos. Posteriormente, transferiu-se para o Newcastle United, onde joga atualmente.
Um golo com peso histórico
No Mundial, o cabeceamento aos 50 minutos que igualou o marcador frente a Portugal ficou marcado como um momento de enorme simbolismo para Wissa e para a sua seleção. Para o jogador, o episódio lembra que “nunca se sabe o que o destino reserva”.
Mais do que um golo, é a prova de recuperação de um atleta que superou um ataque violento e voltou a competir ao mais alto nível.












