Futebolista congolês atacado com ácido enquanto protegia a filha: marcou Portugal no Mundial 2026

Mostrar resumo Ocultar resumo

Yoane Wissa transformou uma história pessoal dramática num momento histórico: aos 50 minutos, cabeceou para o empate (1-1) frente a Portugal e assinou o primeiro golo da República Democrática do Congo numa fase final do Mundial em mais de cinco décadas. O tento ganha ainda mais significado depois do ataque com ácido que quase lhe tirou a visão e deixou sequelas físicas e psicológicas.

O ataque e a recuperação

Em 1 de julho de 2021, uma mulher que alegadamente tentou raptar a filha de Wissa atirou-lhe ácido à cara. O avançado teve os olhos gravemente atingidos e precisou de operações de emergência.

Segundo o próprio, os médicos alertaram para queimaduras oculares e recomendaram lavagens frequentes e tratamento contínuo com colírios. A visão demorou cerca de seis meses a recuperar de forma satisfatória.

Além das consequências físicas, o jogador passou a conviver com ansiedade persistente. Relatou reações como pânico perante ruídos, menos expressão afetiva, a necessidade de olhar para trás enquanto caminha e dificuldades em dormir sozinho. Tanto ele como a companheira chegaram a recorrer a acompanhamento psicológico.

Decisões pessoais e justiça

Wissa recusou uma cirurgia estética para alterar as marcas do ataque, afirmando que elas fazem parte da sua história. Em 2025, a mulher responsável pelo ataque foi condenada a 18 anos de prisão.

Retorno ao campo e carreira na Europa

O apoio de clubes e treinadores foi importante durante a recuperação. O então treinador do FC Lorient, Christophe Pélissier, visitou-o no dia seguinte ao ataque e destacou, em declarações à BBC, a determinação e a força de vontade do jogador.

Ainda em fase de recuperação, Wissa assinou um contrato de quatro anos com o Brentford. De acordo com a NDTV Sports, alinhou em 149 partidas pelo clube ao longo de quatro temporadas e marcou 49 golos. Posteriormente, transferiu-se para o Newcastle United, onde joga atualmente.

Um golo com peso histórico

No Mundial, o cabeceamento aos 50 minutos que igualou o marcador frente a Portugal ficou marcado como um momento de enorme simbolismo para Wissa e para a sua seleção. Para o jogador, o episódio lembra que “nunca se sabe o que o destino reserva”.

Mais do que um golo, é a prova de recuperação de um atleta que superou um ataque violento e voltou a competir ao mais alto nível.

Dê o seu feedback

★★★★★

Seja o primeiro a avaliar este post
ou deixe uma avaliação detalhada



Semanário Transmontano é um meio independente. Apoie-nos adicionando-nos aos seus favoritos do Google News:

Publicar um comentário

Publicar um comentário