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O Mundial chamou a atenção por um detalhe curioso: inúmeras chuteiras surgiram em tons de rosa. A explicação oficial apontou para o contraste com o relvado, mas especialistas vêem um fator mais amplo a explicar a simultaneidade do fenómeno.
Por que tantas chuteiras cor-de-rosa?
Representantes da Nike disseram ao The Athletic que o rosa melhora a visibilidade contra o verde do campo, tanto nas bancadas como na televisão. É uma justificação fácil e plausível, mas insuficiente para explicar por que outras marcas lançaram modelos muito semelhantes ao mesmo tempo.
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Adidas, Puma, New Balance e outras rivais apresentaram tons análogos na mesma competição. Para vários analistas do mercado, isso não foi coincidência.
O papel das agências de tendências
Segundo a análise de um especialista em marketing publicada no X e no LinkedIn, a explicação passa por relatórios preparados por agências que anteveem cores e estilos. A mais citada é a WGSN, plataforma de previsão de tendências que, em 2024, destacou o chamado Electric Fuchsia como uma cor-chave para 2026.
Essas previsões chegam às marcas com antecedência. O desenvolvimento de um par de chuteiras costuma levar cerca de dois anos, intervalo suficiente para que uma recomendação de 2024 influa em coleções lançadas no Mundial. Assim, aquilo que deveria ser uma escolha exclusiva transforma-se numa direção comum.
Como a tendência se autoalimentou
O especialista explicou que muitas empresas recorrem às mesmas fontes de inteligência criativa. Uma assinatura desse tipo de serviço custa, segundo a mesma análise, perto de 25 mil dólares anuais, e milhares de marcas são clientes — o que aumenta a probabilidade de convergência nas decisões de design.
Houve também explicações em termos de dinâmica social: quando várias entidades partilham a mesma previsão, a tendência deixa de ser apenas uma descoberta e passa a ser uma prática repetida. O especialista comparou esse mecanismo a um efeito de confirmação coletiva, em que a antecipação ajuda a criar aquilo que previa.
O relato da WGSN sobre a cor
No relatório citado, o Electric Fuchsia é descrito como um tom neon, entre o rosa e o roxo, com uma leitura ligada à provocação e a atitudes mais progressistas. O documento associa a cor a uma estética digital e multisensorial, capaz de transmitir uma sensação de evasão num mundo cada vez mais influenciado pela Inteligência Artificial.
Exceções visíveis e identidade de marca
Nem todas as chuteiras seguem a tendência. Os modelos personalizados continuam a destacar-se: Messi costuma apostar em chuteiras brancas, Cristiano Ronaldo usa versões douradas e Pulisic veste um par com padrão de estrelas azuis. Esses casos mantêm um elemento de distinção individual dentro de um cenário dominado por um mesmo tom.
O episódio ilustra como a indústria da roupa e do calçado esportivo combina estudos de mercado, cronogramas de desenvolvimento e estratégia de marca. O resultado, no Mundial, foi uma imagem coletiva — elegante e calculada — onde uma cor prevista com antecedência se tornou onipresente em campo.











