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A proposta de criar um veículo para deter participações em empresas consideradas estratégicas levanta questões essenciais sobre formato e finalidade. Sem definição clara, corre o risco de ser um instrumento mal concebido — mais parecido com um fundo de *venture capital* do que com um verdadeiro fundo soberano.
Fundo estratégico ou operação de risco?
Projetos desse tipo exigem um mandato preciso e transparência sobre objetivos, critérios de investimento e governança. Sem isso, a iniciativa pode tornar-se confusa e ineficaz.
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Não basta lançar um processo participativo ou um “concurso de ideias”. Decisões sobre participações industriais exigem critérios técnicos, avaliação de longo prazo e capacidade de acompanhamento — nada que se resolva apenas com intenções gerais.
Erros que repetimos
Ao mesmo tempo, continuam sinais preocupantes na gestão de políticas públicas. O sistema de pensões aponta para uma trajectória que o coloca a menos de quinze anos de entrar em défice, segundo alertas frequentes.
Em vez de alinhar-se com soluções consideradas mais sólidas noutros países europeus, há uma tendência a seguir modelos com resultados mais discutíveis. Isso não é uma questão de estilo: tem impacto direto na sustentabilidade das contas públicas e na segurança social dos próximos anos.
Universidades e o novo poder estratégico
Num contexto em que a formação passou novamente a ser um dos principais vetores de competitividade, as universidades não podem manter-se como burocracias que administram processos do passado.
É preciso ambição institucional. Mais exigência académica. Coragem para redesenhar currículos, investir em investigação aplicada e ligar ensino superior às necessidades da próxima vaga tecnológica. Caso contrário, corre-se o risco de irrelevância gradual.
A janela da inteligência artificial
Há uma próxima onda de transformação global impulsionada pela inteligência artificial. A capacidade de a Europa participar nela depende de decisões estratégicas agora.
O problema não é falta de diagnóstico: sabe-se, de forma geral, o que precisa ser feito. Falta, porém, capacidade política e velocidade de execução — dois recursos que estão a escassear.
Por que o planeamento centralizado não chega
Experiências históricas e análises contemporâneas mostram limites claros ao planeamento centralizado. Nenhuma autoridade central dispõe do conhecimento disperso necessário para gerir todos os pormenores de setores complexos.
Microgerir indústrias inteiras a partir de uma lógica burocrática tende a produzir ineficiências. Além disso, escolhas de prioridade têm consequências humanas concretas: priorizar infraestruturas digitais enquanto se negligencia o acesso a bens essenciais, como a água, é moralmente problemático e socialmente insustentável.
Apelo moral e necessidade de escolhas
O apelo a uma discussão ética ampla — como o que tem sido pedido por líderes morais — é importante. Mas o diálogo tem de traduzir-se em políticas claras e em instrumentos bem desenhados.
O desafio é simples na formulação e complexo na execução: transformar diagnóstico em decisões operacionais, com prioridades claras, recursos adequados e governação eficaz. Sem isso, medidas soltas correm o risco de se perderem no caminho.
Cartoon de Luís Afonso












