Teerão e Washington lançam mecanismo conjunto para pôr termo aos combates no Líbano

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Estados Unidos e Irão concordaram em criar uma estrutura conjunta para gerir incidentes e avançaram um roteiro de negociações que visa pôr fim aos combates no Líbano. As conversações em Bürgenstock na Suíça tiveram momentos de avanço, mas também foram interrompidas brevemente após mensagens do Presidente norte‑americano que desagradaram Teerão.

Acordos principais e mediadores

Segundo um comunicado conjunto dos mediadores do Paquistão e do Catar, foi decidido criar uma célula de gestão de conflitos envolvendo as partes diretamente interessadas e a República do Líbano. O objetivo é monitorizar e assegurar o cumprimento da cessação das operações militares no território libanês.

Além disso, as partes aceitaram um roteiro para negociar um acordo final no prazo de 60 dias, com o estabelecimento imediato de grupos técnicos para tratar temas específicos. Foi também acordada uma linha de comunicação destinada a garantir a passagem segura de navios comerciais pelo estreito de Ormuz.

Interrupção temporária após troca de acusações

Autoridades iranianas relataram progressos nas negociações — incluindo a libertação de alguns ativos congelados e o levantamento de restrições sobre exportações de petróleo — e saudaram a mediação internacional. Abbas Araghchi, ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, classificou os avanços como “significativos”.

No entanto, pouco depois de declarações públicas do vice‑presidente norte‑americano JD Vance, que descreveu movimento de proximidade entre as delegações e tentou minimizar o impacto dos confrontos no Líbano, mensagens do Presidente Donald Trump reacenderam tensões. Trump fez declarações à Fox News e publicou na sua rede social, apontando ameaças diretas ao Irão caso Teerão não controle os aliados no Líbano. A resposta iraniana traduziu‑se numa saída temporária da delegação das sessões de negociações.

Fontes indicaram que as conversações entraram numa pausa para consultas internas, mas que as reuniões foram posteriormente retomadas, com novas rondas previstas na Suíça.

Impacto imediato nos mercados de energia

Os mercados reagiram rapidamente: na abertura de segunda‑feira o Brent subiu 1,24% para 81,58 dólares por barril, e o West Texas Intermediate avançou 1,41%, para 78,42 dólares por barril. A volatilidade refletiu tanto o risco acrescido de escalada na região quanto as incertezas sobre o tráfego no estreito de Ormuz.

O Irão afirmou ter condicionado a passagem pelo estreito devido aos combates no Líbano, mas as autoridades americanas rejeitaram a declaração de que a via estivesse fechada. O secretário de Energia dos EUA informou que dezenas de navios passaram pela região: 67 embarcações no sábado e 55 no dia anterior, e que as Forças norte‑americanas estariam a escoltar navios por um canal alternativo a sul.

Custos do confronto e efeitos domésticos

Uma análise preliminar do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) aponta que a guerra com o Irão já implicou gastos de cerca de 40 mil milhões de dólares para o Pentágono, contabilizando munições, equipamento perdido e danos em bases. Outros departamentos, como Segurança Interna e Assuntos dos Veteranos, registaram custos adicionais na ordem de mil milhões.

O conflito também pressionou preços domésticos: os combustíveis nos EUA subiram de uma média abaixo dos 3 dólares por galão para níveis superiores a 4 dólares durante grande parte da guerra. Estudos citados indicam que as famílias americanas pagaram em média cerca de 253 dólares a mais por energia do que teriam desembolsado sem o conflito.

Analistas de mercado referem ainda que a oferta mundial sofreu perdas significativas de petróleo, com estimativas de cerca de 1,15 mil milhões de barris em falta desde o início das hostilidades, e a inflação anual voltou a ultrapassar os 4% em maio.

Posturas regionais: Israel e o Irão

Em paralelo, o primeiro‑ministro israelita Benjamin Netanyahu declarou que as forças de Israel permanecerão no sul do Líbano “enquanto for necessário” para garantir a segurança do norte do país. Netanyahu também reiterou que não permitira que o Irão desenvolva uma arma nuclear, afirmando que essa política se manteria enquanto for primeiro‑ministro.

Do lado iraniano, o presidente do parlamento e negociador Mohammad Bagher Ghalibaf advertiu os Estados Unidos a não subestimarem a capacidade de resposta do Irão, numa publicação citada pela imprensa internacional.

O que está em jogo

As conversações em curso na Suíça, mediadas pelo Paquistão e pelo Catar, procuram transformar uma trégua frágil num acordo duradouro que inclua um cessar‑fogo no Líbano, garantias sobre o programa nuclear iraniano e medidas para assegurar a livre circulação marítima. As declarações públicas e as ameaças de retoma de ataques elevaram o risco de novas interrupções, mantendo a diplomacia numa fase sensível e os mercados atentos a qualquer escalada.

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