Ana Mendes Godinho vai ocupar cargo de direção na OCDE

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A ex-ministra Ana Mendes Godinho foi escolhida para chefiar a Direção de Emprego, Trabalho e Assuntos Sociais da OCDE, uma posição que influencia políticas laborais e de proteção social em escala internacional. A nomeação resulta de um processo competitivo e a função terá início a 01 de janeiro, na sede da organização em Paris.

Seleção e entrada em funções

A escolha saiu de um concurso internacional que contou com mais de 130 candidatos oriundos de quase 30 países. Segundo a informação enviada à agência Lusa, o júri valorizou sobretudo o percurso de diálogo com os parceiros sociais — sindicatos e organizações patronais — e a capacidade de intervenção demonstrada durante a pandemia de Covid-19.

Mesa de reunião com pastas e crachás representando candidatura internacional
Concursos internacionais atraíram mais de 130 candidatos de quase 30 países.

Ana Mendes Godinho toma posse em Paris no dia 01 de janeiro, data em que inicia tarefas na direção que agora irá liderar.

Competências da direção

A direção sob sua responsabilidade actua na definição e no acompanhamento de políticas sobre emprego, proteção social, qualificações, migrações e saúde. Produz estudos, indicadores e recomendações que servem de apoio aos governos na conceção de medidas laborais e sociais.

O trabalho desta unidade é referência para instituições como a Comissão Europeia e para as agendas do G20 e do G7. Entre as publicações produzidas está o OECD Employment Outlook, considerado um dos principais relatórios internacionais sobre mercados de trabalho, salários e qualidade do emprego.

Prioridades e desafios

Em declarações à Lusa, Ana Mendes Godinho descreveu a nova função como “uma nova missão, desafiante, num contexto internacional marcado por mudanças profundas, que exigem novas respostas, nomeadamente perante o impacto da inteligência artificial no mundo do trabalho”.

Ilustração de automação e inteligência artificial no local de trabalho
A inteligência artificial e automação são prioridades para a nova direção.

Entre os assuntos que deverão ocupar a direção estão os efeitos da automação e da inteligência artificial nas profissões, a necessidade de adaptar qualificações, as migrações e a sustentabilidade dos sistemas de proteção social e de saúde.

Trajectória profissional

Licenciada em Direito pela Universidade de Lisboa, com pós-graduação em Ciências Jurídicas e em Direito do Trabalho e da Segurança Social, Ana Mendes Godinho acumulou diversas responsabilidades públicas antes da nomeação.

Foi ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social entre 2019 e 2024 nos governos de António Costa, período em que coordenou a resposta laboral e social à pandemia, a execução de medidas do Plano de Recuperação e Resiliência e reformas como a Agenda do Trabalho Digno e o programa Creche Feliz.

Em 2021, durante a presidência portuguesa do Conselho da União Europeia, presidiu o Conselho EPSCO (Emprego, Política Social, Saúde e Consumidores). Antes disso, entre 2015 e 2019, desempenhou o cargo de secretária de Estado do Turismo e trabalhou na Autoridade para as Condições do Trabalho como inspetora e dirigente.

Após deixar o Governo foi deputada à Assembleia da República em 2024–2025. Atualmente, exerce as funções de diretora de Estratégia de Turismo da Universidade NOVA de Lisboa.

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