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O secretário‑geral do PCP, Paulo Raimundo, afirmou nesta sexta‑feira que existem motivos sólidos para censurar o Governo, mas recusou apoiar a iniciativa do Chega, que considera “demagógica e mentirosa”. A declaração foi feita na abertura da Festa do Avante!, poucos dias antes da votação da moção na Assembleia da República.
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PCP admite motivos para voto de censura ao Governo, mas rejeita reforçar a agenda mentirosa do Chega
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Em declarações na Quinta da Atalaia, no Seixal, Paulo Raimundo disse que há “razões fundas” para levar o executivo a uma moção de censura. Ainda assim, o dirigente afirmou que o PCP não quer legitimar a agenda política do Chega e não confirmou como o partido vai votar na terça‑feira.

“Nós não alimentamos agendas reacionárias, demagógicas, mentiras, golpadas”, declarou Raimundo, sublinhando a recusa em associar o PCP a um discurso que considera prejudicial ao debate político.
O que pesa contra o Governo
Raimundo apontou razões concretas para a iniciativa contra o executivo. Como exemplo citou o aumento do preço dos combustíveis previsto para a próxima semana, que, disse, acrescenta “mais 14 cêntimos de razões” para censurar o Governo.
Para o líder comunista, as críticas ao executivo devem ter um objetivo claro: travar políticas que, na sua opinião, prejudicam a maioria da população.
Análise à moção do Chega
O secretário‑geral considerou que o texto apresentado pelo Chega não constitui uma censura abrangente ao Governo. Segundo Raimundo, trata‑se sobretudo de um ataque dirigido ao ministro da Administração Interna e sem uma crítica estruturada às políticas do executivo.

“Se todos lerem o texto, vão chegar à conclusão de que aquilo pode ser um currículo um bocadinho manhoso do ministro da Administração Interna, mas não tem nenhuma censura ao Governo”, afirmou, apontando falta de perguntas ou reflexão sobre temas como as condições de trabalho das forças de segurança e dos bombeiros.
Raimundo acusou ainda o partido de André Ventura de estar “comprometido até ao pescoço com a política em curso”, o que, na sua leitura, retira legitimidade à iniciativa.
Eleição e consequências políticas
Sobre um possível regresso às urnas, o dirigente comunista disse que a questão só faz sentido se melhorar a vida da maioria. “Se for para que a vida da maioria melhore e responda às necessidades… então venham as eleições ontem”, afirmou.
Raimundo descreveu o momento atual como difícil para os portugueses, mas vantajoso para quem concentra riqueza e regista lucros elevados.
O calendário
O Chega entregou a moção de censura no Parlamento na quarta‑feira, centrada nas polémicas à volta do ministro da Administração Interna, defendendo o afastamento de Luís Neves. A discussão e votação estão marcadas para terça‑feira.











