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A Bienal Internacional de Arte de Cerveira (BIAC) foi inaugurada hoje com uma proposta curatorial centrada na ideia de fronteira — ou na sua falta — e nas experiências do deslocamento, do exílio e da pertença. A programação reúne criações recentes e históricas para interrogar como a noção de “casa” molda identidades e práticas artísticas.
Tema central e exposição coletiva
A direção artística, liderada por Mafalda Santos, definiu a edição como um espaço de reflexão sobre a fronteira em várias camadas: geográfica, política, afetiva e estética. A mostra coletiva que abre o festival, intitulada ¿De qué casa eres?, parte da obra de Ana Pérez‑Quiroga para explorar o exílio e a condição de pertencer a vários lugares — ou, por vezes, a nenhum.
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Segundo a curadoria, perguntar “de que casa és” hoje implica repensar o conceito de lar: a casa pode assumir formas mutáveis, desde memórias e línguas transportadas até arquivos pessoais que carregamos ao longo da vida.
Quem expõe — artistas e estreias
Até 30 de dezembro, o distrito de Viana do Castelo acolhe mais de 40 artistas convidados e várias obras inéditas. Entre os nomes confirmados estão Alisa Heil, André Sousa, Carlos Noronha Feio, João Penalva, RIGO 23, Vhils e Yonamine.
Concurso internacional e procura global
A 24.ª edição do concurso internacional da BIAC, sob o mote Territórios sem Fronteira, selecionou trabalhos de 36 artistas oriundos de 14 países. De acordo com a direção, a seleção seguiu depois de um total recorde de 900 candidaturas.
O projeto curatorial aposta em um diálogo entre gerações, aproximando artistas contemporâneos — muitos portugueses a residir no estrangeiro, assim como criadores estrangeiros que vivem e trabalham em Portugal — e obras de mestres já consagrados.
Conexão com a história da arte
A bienal integra ainda um conjunto de referências históricas, apresentando obras de figuras como Maria Helena Vieira da Silva, Manuel Alvess, Menez, Amadeo de Souza‑Cardoso, António Dacosta, Arpad Szenes e Paula Rego. Através desse encontro entre passado e presente, o evento pretende aprofundar debates sobre deslocamento, memória e identidade artística.
Homenagem e interdisciplinaridade
Uma das mostras é dedicada a Silvestre Pestana, artista ligado de forma estreita à Bienal e presente em todas as suas edições. A sua prática — que atravessa poesia experimental, vídeo, performance e novas tecnologias — serve como referência para discutir o caráter interdisciplinar da arte contemporânea e a noção de um território sem fronteira no processo criativo.
A curadoria aponta ainda para o impacto de tecnologias emergentes, como a inteligência artificial, que colocam questões sobre autoria e as formas como habitamos e interpretamos o mundo.
Programação de cinema e atividades paralelas
A artista Ana Pérez‑Quiroga participa com a obra que dá nome à exposição, com a instalação “Peixinhos – tu inventaste!” (2023) e com intervenções murais intituladas “Mamã” e “Expedicíon a la URSS”, acompanhadas pela exibição de um documentário seu.
Em parceria com o BIOGRAF’26 — Festival Internacional de Cinema e Arte em Movimento — a BIAC reserva, de 07 a 09 de agosto, uma secção especial dedicada à imagem em movimento. O programa inclui uma homenagem a Silvestre Pestana, uma seleção de filmes dos artistas convidados e uma mostra dedicada aos participantes do Concurso Internacional.
Rede de ações e oferta cultural
Além das exposições centrais, a bienal organiza polos expositivos externos, oficinas e ateliers abertos ao público, residências artísticas e conferências. A diversidade de formatos visa ampliar o diálogo entre público, artistas e instituições e aprofundar as questões propostas pelo tema desta edição.











