Chefe local da Proteção Civil no Cávado vai sair no final do mês

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O major Manuel Moreira deixa, no fim deste mês, o comando da Subregião do Cávado da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), em Braga, para regressar à GNR. A sua saída encerra um ciclo marcado por intervenções relevantes na serra do Gerês e pela liderança de exercícios e operações que mobilizaram meios locais e transfronteiriços.

Mudança no comando e transição

A comissão de serviço de três anos do major terminou há nove meses, mas ele manteve-se à frente do comando por solicitação dos responsáveis da ANEPC, segundo a entidade. Agora, com a cessação de funções agendada para o último dia do mês, Moreira volta à sua carreira de origem na GNR.

O comando sub-regional do Cávado ficará a cargo, de forma interina, do segundo-comandante sub-regional Bruno Silva, que deverá assumir as funções até nova designação.

Operações de relevo

Entre as ações que marcaram o seu período na Proteção Civil está o incêndio de Lindoso, em Ponte da Barca, no verão de 2025. A intervenção coordenada contribuiu para que o fogo não alcançasse a Portela do Homem e poupasse áreas florestais sensíveis.

Equipas de combate a incêndios junto a mata em região montanhosa
Intervenção no incêndio de Lindoso que mobilizou meios locais.

As Matas de Cabril, de Palheiros e de Albergaria — consideradas algumas das principais áreas do Parque Nacional da Peneda-Gerês — foram preservadas durante esse episódio, apesar da propagação do fogo a partir de Ponte da Barca.

Em abril de 2025, Moreira liderou a organização do maior exercício do distrito de Braga para testar o Plano Distrital de Emergência e Proteção Civil. O evento, o Gallus Exercitium, realizado em Barcelos a 12 de abril, envolveu cerca de mil participantes e mobilizou várias entidades de socorro.

Resgates e cooperação transfronteiriça

Enquanto não existia um Posto de Montanha permanente, o major foi a figura de referência nos resgates no Gerês, em coordenação com os Bombeiros Voluntários de Terras de Bouro e com a Delegação de Rio Caldo da Cruz Vermelha Portuguesa.

Equipa de busca e salvamento em trilho montanhoso
Resgates no Gerês coordenados entre Proteção Civil e bombeiros locais.

Ainda com a patente de capitão, foi ele quem assumiu a intervenção no socorro a um acidente grave em Lobios, na Estrada Número 312, configurando um dos primeiros exemplos de socorro transfronteiriço entre Minho e Galiza a partir da Portela do Homem.

Trajetória profissional e formação

Natural de Valongo, o major Manuel António da Silva Moreira tem 41 anos e cerca de 15 anos de experiência em proteção civil, área em que se especializou ao longo da carreira.

Iniciou funções em 2009 como adjunto do Núcleo de Educação Física e Desportos da GNR e, em 2012, ingressou no Grupo de Intervenção de Proteção e Socorro (GIPS), hoje Unidade de Emergência de Proteção e Socorro (UEPS). Antes disso serviu nos Centros de Meios Aéreos de Arcos de Valdevez e de Baltar, em Paredes.

Em 2015 tomou o comando da 4.ª Companhia do GIPS, em Braga, com responsabilidades de intervenção inicial terrestre e helitransportada em incêndios rurais e em operações de busca e salvamento no âmbito do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Entre 2018 e 2021 comandou a Companhia 11 (atual UEPS), cobrindo então os distritos de Braga, Viana do Castelo e Porto.

No plano académico, detém um mestrado em Ciências Militares (Especialidade Segurança) pela Academia Militar e pós-graduações, incluindo uma em Medical Response to Major Incidents, pela European Society for Trauma and Emergency Surgery, além de outra em Ciências Militares e Policiais pelo Instituto Universitário Militar, entre outras formações.

Reconhecimentos e avaliação local

Em 27 de setembro de 2024, a Assembleia Municipal de Vila Verde aprovou um voto de louvor que destacou a sua prontidão e capacidade de mobilizar meios face a incêndios que afetaram o concelho. Comandantes de corpos de bombeiros do distrito também expressaram reconhecimento formal pelo trabalho desenvolvido.

A saída de Moreira foi recebida com pedidos locais para a sua continuidade, mas o próprio decidiu retomar a carreira na GNR. Resta agora acompanhar a transição e a nova liderança interina na Subregião do Cávado.

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