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A economia portuguesa registou um arrefecimento do seu saldo externo até julho: o excesso de financiamento ficou em 2.397 milhões de euros, uma queda de 39,5% face ao período homólogo, segundo dados do Banco de Portugal (BdP). O recuo reflete variações marcantes nas contas de bens, rendimentos e capital que alteraram a dinâmica observada nos anos anteriores.
Resultados até julho
Norberto Mourão conquista terceiro título europeu nos 200 m VL2 da canoagem adaptada
Até julho, saldo externo somou 2,39 mil milhões e caiu 39% em termos anuais
O excedente externo acumulado até julho foi de 2.397 milhões de euros. Em cadeia, o valor praticamente duplicou (+99,6%) face a junho, quando o saldo estava em 1.201 milhões de euros.

No entanto, o montante permanece longe dos níveis registados em períodos equivalentes de anos anteriores: 6.534 milhões em 2024 e 3.960 milhões em 2025.
O que mudou nas contas
O BdP atribuiu a redução do excedente a três movimentos principais: um aumento de quase 2.700 milhões de euros no défice da balança de bens, uma diminuição de 268 milhões no excedente da balança de rendimento secundário e um acréscimo de cerca de 1.300 milhões no excedente da balança de capital.
Em termos de comércio, o banco central destacou que as importações cresceram cerca de 5.400 milhões de euros, enquanto as exportações aumentaram aproximadamente 2.700 milhões. Isso fez com que o défice na balança de bens se ampliassse.
Recursos e transferências
A queda do excedente na balança de rendimento secundário deveu‑se, sobretudo, ao aumento da contribuição financeira de Portugal para o orçamento da União Europeia.
Por outro lado, o reforço do excedente da balança de capital resultou de maiores recebimentos por indemnizações de resseguros do exterior — ligadas, segundo o BdP, às tempestades do início do ano — e do aumento das atribuições finais de fundos europeus classificados como ajudas ao investimento, incluindo verbas do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
Balança financeira e contributos por setores
Até julho, a capacidade de financiamento da economia refletiu‑se num saldo positivo da balança financeira de 1.072 milhões de euros, contra 630 milhões no mês anterior e 4.275 milhões um ano antes.

O BdP identificou as seguradoras e os fundos de pensões como principais contribuintes para esse resultado, através do investimento em títulos de dívida emitidos por não residentes. Também os particulares somaram ao saldo, com maior afluxo para unidades de participação de fundos de investimento não residentes.
Em sentido contrário, o banco central e as empresas não financeiras registaram as maiores reduções de ativos líquidos, consequência do crescimento dos passivos de capital e dos depósitos, respetivamente.
Julho em detalhe
No mês de julho isoladamente, o excedente externo foi de cerca de 1.200 milhões de euros, abaixo dos 1.700 milhões verificados em julho de 2025.
Essa redução mensal observou vários movimentos pontuais: o défice da balança de bens aumentou em 196 milhões de euros; o excedente da balança de serviços diminuiu 141 milhões; o excedente da balança de rendimento secundário caiu 79 milhões; e o défice da balança de rendimento primário aumentou 77 milhões.











