Em Portugal surge a primeira floresta com fins terapêuticos da Península Ibérica

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A Mata do Bussaco, em Mealhada, foi reconhecida em julho como a primeira floresta terapêutica da Península Ibérica, uma distinção que ressalta benefícios para a saúde e já se traduziu num aumento de visitantes nas primeiras semanas de agosto. O selo foi atribuído por um conselho internacional ligado à Sociedade Internacional de Terapia Florestal (ISFT) e exige critérios científicos e de acessibilidade.

Uma área histórica com grande diversidade

A área protegida ocupa mais de 100 hectares e foi formada pelos Carmelitas Descalços há cerca de quatro séculos. Representantes da Mata destacam que ali existe uma coleção dendrológica de relevo, com aproximadamente 250 espécies de árvores e arbustos.

Diversidade florestal com várias espécies de árvores, arbustos e vegetação densa numa área protegida.
A Mata do Bussaco alberga aproximadamente 250 espécies de árvores e arbustos, incluindo sequoias e carvalhos.

Entre as espécies presentes estão sequoias, pinheiros, carvalhos e eucaliptos. A Fundação que gere o espaço sublinha ainda a existência, nas suas palavras, da “maior concentração de adermáceas do mundo”.

Além da vegetação, a Mata alberga mais de 150 espécies de vertebrados, incluindo chapins-azuis, pica-paus, aves de rapina, raposas, salamandras e tritões, e integra cursos de água que contribuem para a qualidade do ar e do ambiente.

O que significa a certificação

O selo reconhece florestas capazes de “contribuir positivamente para o tratamento de doenças e mitigar o grau de incapacidade delas resultante”, segundo o conselho internacional responsável pela avaliação.

Para obter a distinção, a Mata do Bussaco foi sujeita a uma auditoria científica. Foram avaliados parâmetros como a qualidade do ar, a densidade vegetal, as condições acústicas e a presença de infraestruturas e acessos adequados para práticas de saúde, disse o presidente da Fundação, Gonçalo Breda Marques, em declarações à agência EFE.

De acordo com Breda Marques, estudos realizados apontam efeitos favoráveis no combate ao stress e na promoção do relaxamento entre quem visita a floresta.

Como se vive a experiência terapêutica

A Fundação delineou um percurso de quase dois quilómetros pensado para atividades de bem-estar. O trajeto pode ser percorrido acompanhado por um guia certificado, seguindo as normas da organização internacional.

Visitante a caminhar num percurso florestal bem demarcado, rodeado de natureza exuberante e tranquila.
O percurso de bem-estar foi planeado para evitar subidas íngremes e inclui pontos de descanso e contemplação.

O caminho foi planeado para evitar subidas íngremes e inclui pontos para descanso e contemplação. O guia orienta os visitantes a desenvolverem uma maior sensibilidade à natureza e a tirarem partido dos efeitos restauradores do passeio.

Segundo a direção, a visita permite “abrandar” e “apreciar o que é mais importante”, oferecendo uma pausa ao ritmo acelerado do dia a dia.

Prestígio e responsabilidade

Além de ser a primeira na Península Ibérica, a Mata do Bussaco tornou-se a quarta floresta reconhecida mundialmente pelo órgão ligado ao ISFT; as outras três sitiam-se na Alemanha e na Áustria, segundo Breda Marques.

O responsável afirma que o reconhecimento é motivo de orgulho, mas também impõe obrigações: é necessário proteger o caráter intocado da mata e evitar a sua sobrelotação.

Nas primeiras semanas de agosto, a Mata registou um aumento de visitantes face a agosto de anos anteriores, tendência que a gestão considera passível de ser mantida desde que acompanhada por medidas de conservação.

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