Vozinha tornou-se lenda graças a Josimar, lágrimas pela mãe que não tinha visto e críticas aos avós

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Vozinha foi a figura improvável do empate a zeros de Cabo Verde com a Espanha: decisivo na baliza, viral nas redes sociais e protagonista de uma história pessoal marcada por emoção. A exibição do guarda‑redes de 40 anos catapultou‑o para a ribalta mundial e abriu uma discussão sobre a sua carreira e a ausência da mãe no estádio.

Uma defesa que selou o momento

No período de compensação da primeira parte, Vozinha desviou da linha de golo um cabeceamento de Aymeric Laporte após um canto, gesto que sintetizou a sua noite: um misto de cansaço e concentração absoluta. Apesar de queixar‑se de dores no gémeo durante o jogo, mostrou solidez e presença de área.

Depois do apito final, a reação dos colegas traduziu o impacto da sua atuação. Stopira apontou para o guarda‑redes ao olhar para o céu, num gesto que muitos interpretaram como reconhecimento: Vozinha foi eleito o homem do jogo pelos companheiros.

Reacção internacional e a explosão nas redes sociais

A imprensa repartiu‑se: em Espanha o foco foi a frustração pela exibição da Roja; em jornais ingleses e italianos prevaleceram elogios à resiliência cabo‑verdiana; no Brasil, a cobertura foi entusiástica e o público mostrou‑se especialmente sensível à figura do guarda‑redes.

Gráfico mostrando crescimento exponencial de seguidores nas redes sociais em poucas horas.
A conta de Vozinha disparou de dezenas de milhares para milhões em horas após o jogo.

No pós‑jogo, a conta de Instagram de Josimar Dias — conhecido como Vozinha — disparou. Ele próprio disse que antes do encontro tinha “cerca de 40 e tal mil” seguidores e mostrou surpresa ao ver os números crescerem em horas. Relatos do texto dão conta de uma subida meteórica — com marcas que variam conforme as fontes: menções a um salto de menos de 50.000 para 3,5 milhões em cinco horas e outras referências que apontam também para uma passagem de números muito baixos para mais de 3,5 milhões. O que é claro é que, poucas horas após o apito final, a sua visibilidade nas redes multiplicou‑se, primeiro para milhões e depois para patamares ainda maiores.

Da rua de São Vicente aos palcos internacionais

Nascido em São Vicente e criado pelas avós, Vozinha iniciou a carreira no Batuque e passou pelo Mindelense antes de ter uma experiência em Angola, no Progresso do Sambizanga. A alcunha que hoje o identifica surgiu nos jogos de rua da infância e manteve‑se quando se profissionalizou — também para evitar confusões com outro jogador chamado Josimar.

A carreira também inclui passagens pela Moldávia (Zimbru), Chipre (AEL Limassol), Eslováquia (Trencin) e por Portugal, onde representou o Gil Vicente em 2016/17 e voltou mais tarde para o Desportivo de Chaves nas duas últimas épocas. Atualmente, o guarda‑redes é jogador livre, segundo o mesmo relato. O site Transfermarkt lista‑o com um valor de mercado de 50 mil euros.

Recordes e marcos no Mundial

A exibição valeu‑lhe registos estatísticos notáveis. Aos 40 anos e 12 dias, foi apontado como um dos jogadores mais velhos a disputar um Mundial e, segundo o texto, tornou‑se o titular mais velho de sempre a não sofrer golos numa estreia em fase final. A entrada de Lamine Yamal pela Espanha durante a segunda parte fez com que a diferença de idades entre os dois — 21 anos e 45 dias — superasse um recorde anterior de participação simultânea no Mundial.

Estádio cheio durante um jogo do Mundial, com emoção e tensão no ar.

Do ponto de vista colectivo, Cabo Verde assinou um dado raro: cometeu apenas uma falta durante o jogo (de Sidny Lopes Cabral), algo que o artigo liga a registos que não se viam desde 1966.

Emoção pessoal: a mãe que não conseguiu viajar

A noite teve um tom agridoce. Vozinha emocionou‑se e explicou que chorou porque os avós que o criaram já morreram e porque a mãe não pôde viajar para os Estados Unidos por problemas com o visto e por falta de dinheiro para tratar do processo. Em declarações à zona mista, transmitidas ao The Athletic, disse: “Este é um dia para estarmos satisfeitos e orgulhosos… Para mim é uma honra representar o país que amo.”

O The Athletic contactou depois o Departamento de Estado dos EUA sobre o caso, sem resposta imediata, conforme o próprio artigo relata.

O treinador e o significado do empate

O selecionador Bubista destacou a dimensão emocional do momento e descreveu o choro de Vozinha como “um choro de resiliência”. Sublinhou a organização e a coragem demonstradas pela equipa e insistiu na necessidade de manter os pés assentes na terra, apesar do ponto conquistado frente a uma das favoritas do torneio.

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