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Uma carta da Associação dos Ucranianos em Portugal ao PS levanta dúvidas sobre a viagem do deputado socialista José Carlos Barbosa à Rússia, depois de publicações nas redes sociais que teriam elogiado o país. O episódio ganhou relevo por coincidir com um ataque numa estação ferroviária perto de Kiev que matou oito pessoas, segundo a associação.
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A Associação dos Ucranianos em Portugal dirigiu-se ao secretário-geral do Partido Socialista, José Luís Carneiro, pedindo que o partido avalie a conduta do deputado José Carlos Barbosa. Na carta, assinada pelo presidente da associação, Pavlo Sadokha, a organização afirma que o deputado tem publicado mensagens de “alegria” sobre a sua estadia na Rússia, um país que, segundo o texto, “há 12 anos está a travar uma guerra não provocada contra a Ucrânia”.

Sadokha recorda que, a 05 de agosto, oito pessoas morreram na estação ferroviária de Kvitneva, no distrito de Brovary, em Kiev, e afirma que foi doloroso para os ucranianos em Portugal ver publicações do deputado naquele mesmo dia sem qualquer referência aos civis mortos.
Posição do PS e explicações do líder parlamentar
Contactado pela Lusa, o líder do grupo parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, rejeitou a imagem apresentada pela associação. Em declarações, disse que a acusação “não corresponde nada à realidade” e explicou que José Carlos Barbosa está a realizar uma viagem privada por via férrea entre Paredes, sua terra natal, e Pequim.
Eurico Brilhante Dias salientou ainda que o deputado tem votado com o PS em iniciativas de condenação da Federação Russa e de apoio à causa ucraniana. Segundo o líder parlamentar, trata-se de “uma atividade privada de promoção do modo ferroviário” e, disse ele, a viagem permitiu a Barbosa constatar entre jovens russos “a vontade para um futuro diferente”.
O líder parlamentar acrescentou que a associação “conhece bem a posição do Partido Socialista e do deputado José Carlos Barbosa” em relação à Ucrânia e recordou o empenho do PS na defesa do país.
Acusações nas redes sociais
O episódio foi amplificado nas redes sociais por membros de outros partidos. O deputado da Iniciativa Liberal Rodrigo Saraiva publicou um vídeo com o título “Enquanto caem mísseis na Ucrânia há quem passeie pela Rússia. Não é apenas um cidadão apaixonado por viagens. É um deputado da nação. Será falta de noção?”.

No vídeo, Rodrigo Saraiva afirma que o parlamentar do PS está a caminho de Pequim e já passou pela Bielorrússia e pela Rússia, filmando estações e ambientes urbanos, e criticou o facto de, segundo ele, o socialista “come e dorme lá, contribuindo para a economia dos dois países”. O deputado da IL considerou “estranho” o silêncio do PS e classificou a viagem como “uma propaganda em segunda mão” e uma ação “útil a Vladimir Putin”.
Defesa pública de José Carlos Barbosa
Em resposta às críticas, José Carlos Barbosa afirmou que não está na Rússia para defender o Governo daquele país, mas para realizar o sonho de fazer o Transiberiano. O deputado escreveu que a presença de um cidadão num país governado por um regime autoritário não o transforma automaticamente num apoiador desse regime.
Barbosa argumentou que visitar um país não equivale a apoiar o seu Governo e que conhecer um povo não implica concordância com quem o governa. Reforçou ainda a sua posição a favor da paz, afirmando que sempre condenou “qualquer agressão à soberania de um país” e que votou nessa linha no parlamento.
Contexto e repercussões
A carta da associação cita também declarações de autoridades portuguesas que, segundo o texto, condenaram os bombardeamentos russos contra Kiev e reiteraram a solidariedade a favor da Ucrânia. O documento refere o apoio de figuras nacionais e internacionais e menciona o anúncio de uma deslocação à Ucrânia por parte de membros do PS para cerimónias oficiais.
O caso ilustra a tensão entre iniciativas individuais de deputados em contexto internacional e a perceção pública dessas ações, sobretudo quando ocorrem em paralelo com ataques que causam vítimas civis. A polémica segue aberta nas redes sociais e entre organizações da diáspora ucraniana em Portugal.












