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Os trabalhadores do matadouro do Cachão, em Mirandela, convocaram uma greve para os dias 27 e 28, alegando atrasos salariais, falta de pagamento do subsídio de férias e ausência de informação clara sobre um processo de insolvência. O protesto, anunciado pelo sindicato, surge depois de meses de tensões e promessas não cumpridas.
Motivos da paralisação
O Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação e Bebidas e Tabacos de Portugal (SINTAB) justifica a greve como uma resposta ao que descreve como “meses de incerteza, de silêncio e de sucessivas promessas que nunca passaram das palavras”.
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Segundo o sindicato, os trabalhadores têm enfrentado atrasos sistemáticos no pagamento dos salários e a não liquidação do subsídio de férias, situação que consideram intolerável enquanto mantêm o matadouro a funcionar.
Processo de insolvência e alegações financeiras
O conflito instala-se num contexto de dificuldades financeiras: em abril, um credor identificado como Ares Lusitani requereu a abertura de um processo de insolvência, alegando uma dívida próxima de um milhão de euros.
O administrador do matadouro, Michel Monteiro, afirmou hoje à agência Lusa que não existem salários em atraso e que os vencimentos deste mês foram pagos entre os dias 5 e 6. Segundo ele, eventuais atrasos pontuais podem decorrer da coincidência com fins de semana, adiando a disponibilidade bancária para dias úteis seguintes.
Subsídio de férias e o plano de recuperação
Monteiro garantiu também que o subsídio de férias foi pago hoje, admitindo, contudo, que a transferência não ocorreu dentro do prazo inicialmente previsto, até ao dia 15. Reforçou que, na sua opinião, a actividade decorre com normalidade.
Em paralelo, os municípios envolvidos dizem ter entregue um plano de recuperação ao administrador de insolvência. No entanto, o sindicato critica a falta de transparência e afirma que esse plano “continua sem rosto, sem conteúdo e sem qualquer explicação pública”.
Bloqueios nas negociações
O SINTAB e os trabalhadores afirmam que pedidos para reunir com as duas autarquias não tiveram resposta. Além disso, dizem que o administrador de insolvência recusou um encontro, alegando a existência de um pedido de impugnação do processo.
O sindicato apresenta a greve como um último recurso face ao que considera desrespeito para com os trabalhadores.
Consequências e apelos
O SINTAB pede que os municípios assumam as responsabilidades de proprietários da empresa e alerta o Governo para o risco de perda de uma infraestrutura considerada estratégica para a produção agroalimentar nacional e para a coesão territorial.
Do lado da administração, Monteiro admite que o plano de recuperação já foi entregue, mas sublinha que ainda não houve avaliação e que a análise não deverá avançar nas próximas semanas por causa das férias judiciais, que se prolongam até setembro. Acrescentou que, desde a entrada do pedido de insolvência, não houve evolução processual e que o processo pode vir a ser anulado devido à contestação apresentada por um credor.
Quem trabalha no matadouro
O matadouro industrial do Cachão emprega 23 pessoas, a maioria com idades entre os 63 e os 66 anos, segundo os dados disponibilizados.
O impasse deixa em aberto a continuidade das operações e coloca em evidência tensões entre trabalhadores, autarquias e credores sobre a gestão da unidade.












