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O Parlamento rejeitou, na generalidade, a proposta de revisão da lei laboral do Governo, num voto que uniu o Chega e vários partidos da esquerda. André Ventura justificou a posição do seu partido com um apelo a medidas que, disse, protejam os trabalhadores, enquanto múltiplas vozes políticas e sindicais reagiram ao chumbo.
André Ventura e o voto contra
Na sexta-feira, 19 de junho, o líder do Chega usou a rede social X para explicar o voto contrário. Ventura escreveu que o partido “não se vende, nem verga” e condicionou qualquer apoio a alterações concretas, nomeadamente a redução da idade da reforma e medidas de proteção aos trabalhadores.
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Em mensagem publicada momentos após a votação, exigiu ainda a correção do que chamou “a imoralidade da idade da reforma e das reformas milionárias”, afirmando que, sem respostas a essas demandas, o Chega não faria parte de acordos futuros.
Negociações falharam com o PSD
A proposta do Executivo foi chumbada com os votos a favor apenas dos partidos que sustentam o Governo — PSD, CDS-PP e Pessoas-Animais-Natureza (IL) — e da Iniciativa Liberal (IL). Contra votaram o Chega e várias bancadas parlamentares: PS, Livre, PCP, BE, PAN e JPP.
As negociações entre PSD e Chega prolongaram-se até à última hora e levaram mesmo a um pedido de suspensão dos trabalhos por meia hora antes das votações. André Ventura reuniu-se duas vezes com o primeiro‑ministro e líder do PSD, Luís Montenegro, em São Bento, e apresentou exigências que incluíam, além da descida da idade da reforma, a reposição de dias de férias, proteção a mães que amamentam, licença para avós e valorização do trabalho por turnos.
Luís Montenegro disse anteriormente que o Governo estaria disponível para “enriquecer” a proposta, mas condicionou essa aproximação à viabilização da iniciativa na generalidade.
Reação do PSD: acusações sobre pensões
O líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, criticou duramente o Chega, alegando que André Ventura tentou pôr em causa a sustentabilidade da Segurança Social “à 25.ª hora”. Soares sublinhou que, para o seu partido, não se brinca com as pensões e que não aceitará decisões de última hora que comprometam o sistema.
O social-democrata afirmou também que o PSD levou o processo a sério na concertação social e no parlamento e mostrou-se surpreendido pelo recuo de Ventura no último momento.
PS e a defesa do trabalho
O líder da bancada socialista, Eurico Brilhante Dias, afirmou que a rejeição da proposta seria, a médio prazo, valorizada pelos trabalhadores que defendem o emprego com direitos. Para ele, o pacote do Governo “atrasava” a qualificação e os salários e seria negativo para a economia, por desvalorizar o trabalho.
Brilhante Dias agradeceu publicamente à UGT, à CGTP e aos Trabalhadores Sociais-Democratas (TSD) pela mobilização e considerou que o Chega “bateu em retirada” perante a pressão das centrais sindicais.
IL, CDS-PP e críticas ao Chega
A presidente da IL, Mariana Leitão, classificou o papel do Chega como um “bloqueio” que impede mudanças e criticou os que, segundo ela, desistiram do país por razões táticas. Mariana prometeu continuar a defender reformas que, na sua visão, conciliem flexibilidade do mercado e segurança dos trabalhadores.
Paulo Núncio, líder parlamentar do CDS-PP, também censurou o partido de Ventura, acusando-o de ficar ao lado do PCP e da CGTP e de optar pelo imobilismo em momentos decisivos. Núncio disse que, nessas alturas, o Chega mostra medo da opinião pública e falta de coragem para reformas estruturais.
A esquerda e sindicatos: vitória e pedidos de demissão
No Bloco de Esquerda, o deputado Fabian Figueiredo pediu a demissão da ministra do Trabalho, Maria Palma Ramalho, e saudou o chumbo como um resultado da mobilização popular. Figueiredo classificou o pacote como um “caixote do lixo” e acusou André Ventura de dar uma “cambalhota” política.
O secretário‑geral do PCP, Paulo Raimundo, falou em “grande vitória dos trabalhadores” e disse que a força da mobilização iria determinar o desfecho. Rui Tavares, do Livre, fez uma comparação contundente ao descrever o Chega como um “escorpião” que ziguezagueia e acaba por ferir quem confiou nele.
Inês de Sousa Real, do PAN, acusou o Chega de não ser um parceiro confiável e alertou o Governo para o risco de negociar o Orçamento do Estado sem envolver outras forças políticas do hemiciclo.
Sindicatos celebram e avisam Governo
Tiago Oliveira, secretário‑geral da CGTP, saudou o chumbo da proposta e atribuiu o resultado à luta dos trabalhadores ao longo dos últimos 11 meses. Para Oliveira, o desfecho envia “um sinal para o Governo” e revela que a ação sindical condicionou o voto dos partidos.
Também a UGT considerou a rejeição uma vitória. Em comunicado, a central liderada por Mário Mourão afirmou que a proposta do Governo reforçava poderes discricionários dos empregadores, fragilizava direitos e fomentava a precariedade. A UGT falou em defesa da dignidade do trabalho e destacou a importância da unidade sindical nas greves e nos momentos de mobilização.












