O discurso de Donald Trump no National Mall foi o ponto alto das celebrações pelos 250 anos da independência dos Estados Unidos, mas também destacou divisões políticas. A fala, adiada pelo mau tempo, reuniu sobretudo apoiantes e centrou-se na defesa da “grandeza” americana e em propostas controversas de reforma eleitoral.
Trump abriu o discurso — que começou mais de uma hora depois do previsto — exaltando o papel histórico dos EUA. “Durante 250 anos, os Estados Unidos da América têm sido a esperança, a promessa, a luz e a glória entre todas as nações do mundo”, afirmou, acrescentando que “ninguém pode ser como nós”.
Ao longo da intervenção, o tom alternou entre celebração patriótica e retórica de campanha. O presidente agradeceu ao público que suportou uma onda de calor para acompanhar as comemorações, mas que teve de sair do recinto e passar novamente pelo controlo de segurança ao regressar.
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Mensagem contra o comunismo e apelo à reforma
Num registo semelhante a um comício, Trump voltou a advertir sobre a ameaça do comunismo, citando vitórias de candidatos socialistas em primárias democratas como sinal de risco. “Não queremos comunistas no nosso país”, declarou, segundo relatos da cerimónia.
O presidente também usou o palco para promover a polémica proposta de reforma eleitoral conhecida como Lei ‘SAVE America’. Segundo Trump, a lei exigiria identidade para votar, prova de cidadania e restringiria o voto por correspondência, medidas que permanecem paralisadas no Congresso.
Durante o discurso, descreveu episódios de heroísmo americano e chamou veteranos ao palco para saudar bandeiras históricas, numa tentativa de ligar símbolos do passado aos valores que disse defender.
Trump afirmou ainda que a força dos Estados Unidos não é motivo de vergonha, mas de orgulho. Afirmou que entregaria uma bandeira hasteada no Capitólio que, assegurou, “em breve será hasteada por astronautas norte-americanos no próximo regresso à Lua”.
Também recuperou referências históricas para ilustrar aquele orgulho. Citou a bandeira içada no navio almirante quando a Marinha dos EUA derrotou a frota espanhola na baía de Manila, qualificando essa ação como uma das maiores vitórias navais da história. Comparou esse episódio, em termos retóricos, a uma alegada vitória sobre a Marinha iraniana num recente confronto com Teerão — uma comparação apresentada como parte do seu discurso.
Polémica e logística das comemorações
A cerimónia organizada pela Administração republicana integrou o programa Freedom 250, concebido como alternativa aos eventos da organização apartidária America250. Entre as atividades estava a Grande Feira Estadual Americana na capital, que teve público abaixo do esperado. O calor extremo e o cancelamento de dezenas de artistas reduziram a afluência.
Antes das declarações presidenciais houve um espetáculo de fogos de artifício — descrito pelas autoridades como o maior de sempre em Washington — cuja preparação levou a preocupações. Documentos do Serviço Nacional de Parques, citados pelo The Washington Post, indicaram que o evento poderia gerar condições insalubres em partes da cidade.
Outras metrópoles, como Nova Iorque e Los Angeles, também celebraram os 250 anos com concertos, desfiles e festivais. No entanto, muitos desses eventos foram adiados ou cancelados devido à mesma onda de calor que afetou a capital.
Críticos reagiram à forma como as celebrações foram conduzidas, acusando o governo de politizar um momento que, por natureza, deveria ser inclusivo. O uso do evento para discursos de natureza partidária suscitou debates sobre o carácter institucional das comemorações.











